Guimarães: “Antígona” — a Consciência no centro do palco humano

 

A tragédia grega clássica, escrita por Sófocles, “Antigona”, pelo Teatro de Ensaio Raul Brandão, encerrou sábado a Mostra de Amadores de Teatro — MAT’17, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, trazendo a a supremacia da Consciência para o centro do palco humano.

Com adaptação e direcção de actores de Teresa Arcanjo, “Antígona” foi interpretada por Ana Sandrina Simões, Carlos Xavier, Catarina Gomes, Cesarina Oliveira, Elvira Oliveira, Luísa Maria, Mariana Costa e Marta Canelhas Ferreira.

O desenho de luz foi da responsabilidade de Henrique Margarido.

O texto estrutura-se com a ajuda da tradução da célebre Maria Helena Rocha Pereira e com a tradução de Marta Várzeas e adaptação de António Pedro (Teatro experimental do Porto).

Para as jovens actrizes e a sua directora, é um acto de coragem trazer esta obra de meados do séc. I a. C., num tempo em que grassa e domina o politicamente correcto na política, na economia, na cultura e nas relações pessoais.

IMG_7533

Apesar de ser um texto pesado, Sófocles é demasiadamente profundo e descobre, para os espectadores, o âmago do Ser Humano, distintivo do resto da Natureza. Antígona aborda temas sempre presentes em qualquer sociedade humana mas poucas vezes merecedores de reflexão: a consciência individual, o poder do Estado, a obrigação de aceitarmos ou não todas as leis, e a existência de uma Lei natural que está acima dos homens.

IMG_7535

Antígona sabe que um dos seus irmãos mortos viu negado o direito à sepultura . Ambos lutaram durante a guerra civil pelo trono de Tebas. Creonte, que tomou o poder, decide que o cadáver de Polinices será exposto às aves de rapina. Antígona revolta-se contra o decreto de Creonte e decide oferecer um funeral digno a seu irmão. Porque a sua consciência individual traz para a tragédia a questão da Lei Natural, que será determinante no Cristianismo do século seguinte. A Lei dos Deuses permite que ela desobedeça às ordens de Creonte porque são superiores e estão além de qualquer governo de qualquer época.

Historicamente, a Lei Natural foi ignorada por governantes e instituições em várias ocasiões. O eterno conflito entre a consciência de cada um e as leis estabelecidas por Estados e governantes poderosos deu origem a muitas situações dramáticas.

Creonte rapidamente condena Antígona à morte.

Foi fácil para ele fazer isso.

Com Sófocles aprendemos que “os deuses deram ao homem o intelecto, / que é a maior de todas as riquezas” e que “não há nada pior do que o dinheiro / na sociedade humana”.

Com Antígona também aprendemos que “há muitas maravilhas neste mundo, mas a maior de todas é o ser humano” e alerta que “há sempre algo de ameaçador num silêncio muito prolongado”.

IMG_7545

FESTIVAL COM SEIS GRUPOS

Tudo começou com uma convocatória aberta aos grupos amadores do concelho e foram escolhidas seis novas criações que se apresentaram por todo o concelho de Guimarães durante o mês de setembro – a ARCAP de Ponte nas Taipas, ATRAMA em Briteiros, o TERB em Ponte, a Astronauta em Moreira de Cónegos, o CETE – Convívio em Brito e o Grupo de Teatro da Citânia no Espaço Oficina em Guimarães.

Depois de vistos e debatidos pelo júri e por profissionais de teatro convidados, foram escolhidos os três melhores espetáculos da Mostra que se apresentam, agora, no Centro Cultural Vila Flor, a fechar esta “nova” festa de teatro.

Na Quinta-feira, no Pequeno Auditório, foi apresentada a Loja de Trabalho para profissionais do espetáculo: teatro, pela ATRAMA , de Briteiros. No segundo dia, foi representada a “Guernica ou a iconografia do fim da esperança”, pelo grupo da Astronauta Ass. Cultural, de Moreira de Cónegos.

IMG_7542

O habitual espaço de apresentação dos Grupos de Teatro de Amadores de Guimarães surgiu, este ano, num formato revisto e alargado, com programação do Teatro Oficina. Depois da realização de uma convocatória aberta aos Grupos de Teatro de Amadores do concelho, foram seleccionadas seis novas criações cujas apresentações aconteceram ao longo do mês de Setembro um pouco por todo o concelho de Guimarães, promovendo verdadeiros momentos de partilha e convívio com a arte teatral como referencial.

Na primeira semana de apresentações, o auditório dos Bombeiros Voluntários das Taipas recebeu o grupo ARCAP – Academia Recreativa e Cultural Amigos de Ponte que levou a palco a peça ‘Greve de Sexo”, de Aristófanes. A Casa do Povo de Briteiros acolheu o espectáculo ‘Loja de Trabalho para profissionais do espectáculo: teatro’, com assinatura do grupo ATRAMA, e o salão paroquial de Ponte recebeu a peça ‘Antígona’, de Sófocles, com o carimbo do TERB – Teatro de Ensaio Raul Brandão.

A segunda ronda de espectáculos arrancou com o grupo Astronauta – Associação Cultural, que passou pelo Centro Pastoral de Moreira de Cónegos com ‘Guernica ou a iconografia do fim da esperança’. Os Espaços Criativos de Brito foram palco para a peça ‘Para Quase Sempre’, do CETE – Convívio e Teatro Experimental e o Espaço Oficina recebeu o Grupo de Teatro Citânia com ‘Panóplia (título tentativo)’.

Anúncios

PS: inexperiência justifica a pesada derrota em Braga?

Centremo-nos na capital do distrito de Braga , onde o PS sentiu muitas dificuldades, Miguel Corais teve uma campanha difícil — como aliás em quase todos os concelhos do distrito, porque o PS primou pelo zero na comparticipação financeira —mas está logre de ser o único e muito menos o principal responsável.

Hugo Pires desmente esta informação que recolhemos de um relatório nacional — a que tivemos acesso, afirmando que Braga até foi um dos concelhos mais beneficiados pelos apoios financeiros da direcção nacional do Partido.

Mas será que o desprezo da máquina nacional — que ninguém entendeu — justifica tudo? Também não, até porque a presença de António Costa não evitou derrotas em Vila Verde, Amares, Póvoa de Lanhoso ou Vizela.

O resultado está aí. Os números são como o algodão e não enganam.

22046053_196004997608095_1924796933329897546_n.jpg

Há oito anos (em 2009), o PS obteve quase 44 mil votos para a Câmara Municipal de Braga, com Mesquita Machado. Quatro anos depois perdeu treze mil votos (com Vítor Sousa) e menos dois vereadores. Os alarmes deviam ter soado, mas Hugo Pires e companhia, incluindo Mesquita Machado e tantos outros, não perceberam ou não quiseram perceber. Agora, o PS perdeu mais cinco mil eleitores. Em oito anos, quase vinte mil bracarenses voltaram as costas aos socialistas.

Na Assembleia Municipal, o PS desceu de 28 mandatos, há oito anos, para metade. Também ninguém pareceu disposto a perceber o que se estava a passar. Ficaram anestesiados com a diminuição de lugares por causa das Uniões de Freguesias? Como é possível acontecer a gente tão sabedora e experiente.

No global dos mandatos nas Assembleias de Freguesias, o PS tinha 248 mandatos, em 2009, e quatro anos depois desce para os 177 mandatos. Como ainda ficou à frente da coligação PSD/CDS (com 136) parece que ninguém deu por ela da perda significativa. Como os Cidadãos independentes baixaram dos 78 mandatos para uns 30 mandatos e a CDU também perdia terreno, todo o universo socialista ficou sossegado. Mas não devia.

Corais arruada 01

A pergunta que agora deve ser feita por todos, especialmente no próximo dia 13, sexta-feira — que escolha, não? — é esta: e a culpa do fracasso é só do Miguel Corais? O PS tem de assumir um erro colectivo que se prolongou no tempo, com Mesquita Machado e seus sucessores na direcção da Comissão Política Concelhia.

Também ninguém percebeu, entre os militantes socialistas, que António Costa tenha ido a Vizela (onde o PS perdeu), a Amares (onde o PS perdeu), a Póvoa de Lanhoso (onde o PS perdeu), a Vila Verde (onde o PS perdeu) e não tenha reservado quinze minutos para vir dar um abraço de esperança a uma equipa jovem que fez o que pôde em dedicação e trabalho para minimizar as perdas anunciadas para a Capital do Minho.

Se comparamos a diminuição dos meios financeiros do PS (de 2013 para 2017) em progressão geométrica contrária com os recursos do PSD/CDS (no mesmo intervalo), Miguel Corais não tem razão nenhuma para se sentir envergonhado.

Teve a seu lado uma equipa muito jovem, em rodagem e sem experiência em campanhas eleitorais, com deficiências organizativas que se traduziram numa tardia apresentação do programa e dos dez compromissos eleitorais que continuam válidos como punhos.

Os socialistas perderam cinco mil votos, face a 2013, baixando para os 28 por cento e menos um vereador, enquanto o PSD reforçou a sua maioria com mais um vereador. Pode dizer-se — pelo que acima frisamos – que foi um vereador a mais que custou muito dinheiro a uma máquina que há 16 anos estava entrosada.

A CDU não correspondeu às expectativas esperadas, mas teve mais 700 votos que não permitiram eleger mais que um vereador. O BE foi buscar cinco mil votos que não serviram para nada e são menos que os conquistados pela CEM em 2013.

Corais Fausto

FAUSTO FARINHA AGUENTA O BARCO

Quanto à Assembleia Municipal de Braga, além de ser a voz do bom senso e da calma, em momentos de desânimo, o prof. Fausto Farinha  (à direita na foto acima) liderou uma lista que apenas cedeu um lugar face aos deputados conquistados em 2013.

A CDU perdeu um eleito por ter menos mil votos agora e o BE manteve os dois eleitos há quatro anos pela CEM, apesar de perder uns 800 votos.

No que se refere ao panorama das freguesias, em que se fez uma renovação de metade dos cabeças de lista, o PS perdeu 38 mandatos, o PSD reforçou-se com mais 30 eleitos, enquanto a CDU perdeu cinco dos 21 representantes e o BE elegeu quatro membros nas Assembleias mais próximas dos cidadãos. O PS perde cinco mil votos aproximadamente, enquanto o PSD/CDS sobe quase três mil votos. A CDU perde oitocentos votos e os grupos de cidadãos baixam a votação em 800 eleitores a menos.

Os socialistas perderam cinco mil votos, face a 2013, baixando para os 28 por cento e menos um vereador, enquanto o PSD reforçou a sua maioria com mais um vereador.

O Concelho de Braga registou mais 3.300 eleitores mas votaram menos mil nas eleições de Domingo. Foi o concelho com menor participação de votantes (57,7%) contra Barcelos, com mais de 71% de idas às urnas. Longe estão os 43.800 votos obtidos pelo PS há oito anos e os 248 mandatos nas freguesia do concelho que baixaram para 177 em 2013.

Vamos ver os números, em cada freguesia, por ordem alfabética:

ADAÚFE: PSD REFORÇA

É territorialmente a maior freguesia de Braga e sempre foi governada pelo PS até 2013 mas agora viu reforçada a presença do PSD com mais quase mil votos. A mudança de cabeça de lista não trouxe benefícios e todos os restantes partidos perderam eleitores.

Na Assembleia de Freguesia, os socialistas perderam dois dos quatro mandatos que tinham enquanto a Coligação PSD/CDS somou mais dois aos cinco anteriores, com menos de cem votos a mais, porque o PS perdeu quase 300 sufrágios. Nesta freguesia a CDU também perdeu terreno numa eleição em que muitos 45% não foram às urnas.

ESPINHO MANTÉM-SE FIEL

Na freguesia do Santuário do Sameiro, o PS manteve a sua maioria absoluta (cinco eleitos) apesar da perda para o PSD/CDS, mas a CDU tem menos vinte votos, talvez os que, desta vez não foram votar. É um belo exemplo da sabedoria do povo: o PS vence para a Junta de Freguesia, como acontecera há quatro anos, com 345 votos mas perde mais para a Câmara Municipal, com apenas 286 votos.

ESPORÕES: TROCAS E BALDROCAS

Esporões teve sempre presidentes de Junta que trocaram as suas bandeiras pela que está içada na Praça do Município, ao longo de várias de

décadas, mais “militares” ou mais civis e isso traduziu-se na votação para a Assembleia de Freguesia.

Na votação para a Câmara Municipal, o PSD/CDS têm ganhos significativos mas as maiores perdas são do PS (com menos 231 votos). No entanto a derrocada maior aconteceu na votação para a Assembleia de Freguesia. O PS tinha sete mandatos e foi reduzido a um porque o cabeça de lista se mudou para o PSD/CDS a troco da construção de um pavilhão gimnodesportivo que lhes foi prometido por Ricardo Rio — conforme acusou o PS. O PS passou dos 754 para 138 votos por troca com o PSD que teve 749 votos contra 263 há quatro anos.

FIGUEIREDO: CÓPIA DE ESPORÕES

Por números de ordem diferente, aconteceu o mesmo na freguesia de Figueiredo, onde Vítor Sousa ganhara há quatro anos, para a Câmara Municipal de Braga. O PS perde quase metade dos seus votos que vão para o PSD/CDS. Na Assembleia de Freguesia, PSD/CDS e PS invertem as posições de forma espectacular. O PS tinha 66,7 e passa para 25,1% e o PSD/CDS tinha 24,7 e sobe para 66,6 %. É uma derrota estrondosa para os socialistas que, com sete eleitos, passam a ter dois, enquanto a Coligação passa de dois para sete eleitos. Quanto a votantes, apenas mais um que em 2013.

IMG_7291

GUALTAR MANTÉM-SE FIRME NO PS

A freguesia do Hospital e da Universidade do Minho mantém-se fiel ao PS, subindo a votação e por força do número de inscritos passa a ter sete eleitos na Assembleia de Freguesia, contra os seis do PSD/CDS, ao passo que a CDU e BE perdem votos face a 2013. Gualtar, por força do crescimento populacional passa a ter 13 elementos na Assembleia de Freguesia contra os 9 que tinha em 2013.

Na votação para a Câmara Municipal, na freguesia de Gualtar, o PSD/CDS sobe de 1.270 para 1.509 votos mas o PS resiste com 924 votos (contra 991 votos em 2013). A CDU também sobe ligeiramente mas o BE desce numa eleição em que a abstenção subiu 3,7 %.

LAMAS: A ILHA SOCIALISTA

É a mais pequena das freguesias que resistiu à reforma da agregação decretada a régua e esquadro pelo PSD, sabe-se lá bem por quê. Mas sabe-se que o PS continua com maioria absoluta apesar de ter perdido um mandato para o PSD/CDS. Com mais 62 votos, a Coligação Juntos por Braga teve direito a mais um mandato.

Na Votação para a Câmara , os 525 eleitores deram 317 votos a Ricardo Rio enquanto Miguel Corais recebe 164 sufrágios, menos sessenta que Vítor Sousa, há quatro anos. OBE teve 3 votos e a CDU baixou dos 23 para os 17 eleitores.

MIRE DE TIBÃES: CDU APAGA-SE

A CDU apagou-se à sombra do Mosteiro de Tibães perdendo o seu representante na Assembleia de Freguesia, por força da bipolarização entre as candidaturas do PS e da Coligação Juntos por Braga. Os 125 votos foram insuficientes numa freguesia em que 700 inscritos não foram votar. Por força disso, o PSD com mais 129 votos obtém mais dois mandatos enquanto o PS perde um mandato e quase 200 votos.

Para a Câmara Municipal, a votação em Miguel Corais supera o autarca Jorge Gomes, mas o PSD/CDS acrescenta 65 votos aos 780 obtidos em 2013.

IMG_6955

PADIM DA GRAÇA: 600 VOTOS E MAIS NADA

Ímpar: Padim da Graça deu a Fausto Farinha a vitória para a Assembleia municipal, com 457 voto s contra os 441 votos da candidata do PSD. Repetiu-se a vitória de 2013.

Singular. João Moreira deve ter sido o único autarca que manteve os números de votos — 600 — obtidos em 2013, mas com mais um mandato (seis). Por força da renhida batalha com o PSD, a CDU desaparece da Assembleia de Freguesia, por ter perdido uns 12 votos. O PSD, que não concorreu há quatro anos, obteve três mandatos (vindos dos independentes de 2013) com 313 votos.

Na votação para a Câmara municipal, o PSD não cresce muito (mais 22 votos), mas o PS desce de 469 para 396 votos.

PALMEIRA: POR UMA UNHA NEGRA…

Palmeira é uma freguesia curiosa para o PS: Miguel Corais obteve mais votos que Vítor Sousa há quatro anos (917 contra 888) mas a coligação reforça a sua presença com mais 211 votos para a Câmara Municipal. PS e PSD/CDS reforça a sua votação e em queda ficam CDU e BE numa das freguesias com maior abstenção no concelho de Braga.

Para a Assembleia de Freguesia, a candidatura de Bruno Pereira, pelo PS, obteve um resultado que lhe dá garantias de não desistir: ficou a 154 votos da vitória. A CDU é a grande derrotada que baixa dos 222 para os 152 votos e perde o seu eleito. Apesar de tudo, o PSD sai beneficiado, com maioria de cinco eleitos contra quatro do PS.

PEDRALVA: COLOSSO DA INVERSÃO

Pedralva constitui uma das maiores surpresas para os socialistas. Gerida por grandes autarcas como António Meira e Joaquim Vaz, ninguém esperava que Hilário Lopes perdesse a sua reeleição, a favor do PSD/CDS. Hilário perdeu 98 votos, suficientes par atribuir a vitória ao PSD/CDS que conseguiu mais 88 votos que há quatro anos. As posições inverteram-se, com cinco mandatos para o PSD e quatro para o PS, numa freguesia em que quase metade dos eleitores ficou em casa. Ninguém esperava, após a participada sessão de apresentação — no antepenúltimo dia de campanha? — que o colosso de Pedralva caísse na praça laranja. No boletim para a Câmara Municipal, o PS perde apenas 36 votos enquanto a Coligação Juntos por Braga se reforça-se com mais 24 votos.

PRISCOS “REJEITA” PSD/CDS

É uma das poucas e surpreendentes derrotas da coligação do PSD com o CDS em Braga: Priscos desfez-se da coligação e entregou o poder da sua Assembleia de Freguesia a um grupo de Independentes, discretamente apoiados pelo PS. O PSD/CDS perdeu quatro representantes e o MIAP alcançou cinco eleitos e a presidência da Junta de Freguesia. O PS não concorreu e tinha conseguido três eleitos em 2013.

Para a Câmara Municipal a alteração de votos não foi significativa, mas só o PSD/CDS reforçou a sua votação…

RUÍLHE: CDU RESISTE E PS COLAPSA

É notável a resistência da CDU em Ruílhe: 91 votos e um eleito, em 2017, como há quatro anos, para a Assembleia de Freguesia, perante a derrocada do PS menos 173 votos e menos três mandatos) e o reforço do PSD/CDS que duplica os mandatos (passa a ter seis).

Para a Câmara Municipal, destaca-se a subida da Coligação PSD/CDS com mais 120 votos face aos 124 perdidos pelo PS numa aldeia em que desceu o número de votantes.

Corais 001

S. VICENTE: TUDO EM ABERTO

S. Vicente é uma das freguesias urbanas em que a maioria PSD/CDS perde votos face a 2013, mas mantém os seis eleitos na Assembleia de Freguesia, sem maioria, como até agora. Existe uma janela de oportunidade para uma “geringonça” se PS, CDU e BE se unirem e impedirem a aprovação do executivo, Plano e Orçamento, obrigando a eleições antecipadas. PS, BE e CDU somam sete eleitos e detêm a maioria. O PCP anunciou que acabaram as coligações com outros partidos, como fizeram há quatro anos, em S. Vicente e em Fraião, por exemplo. O PS foi quem mais subiu o que garante a António Silva a esperança de eleição daqui a quatro anos ou antes. A CDU também teve mais 46 votos mas o BE obtém apenas 407 votos.

S. VÍTOR: CAMPEÃ DA ABSTENÇÃO

Com mais de 25 mil inscritos — mais que os concelhos de Amares, Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vizela, Celorico de Basto, Cabeceiras de Basto, Esposende, entre outros — a maior freguesia do distrito de Braga (São Vítor) foi a campeã da abstenção. Apenas 45,8 % dos seus eleitores foram às urnas. Ou seja, os eleitos foram escolhidos por menos de metade dos residentes, o que emagrece a sua legitimidade. Seja como for, Ricardo Rio obteve um quinto dos votos e Migue Corais um décimo dos inscritos nesta freguesia. Comparativamente com 2013, Ricardo Rio tem mais 157 votos enquanto o candidato do PS perde 469 votos. Em perda esteve a CDU com menos 220 votos e o BE teve menos votos que a Cidadania em Movimento. Quanto à Assembleia de Freguesia, o PS perde um mandato para o PSD/CDS que passa a ficar com dez, enquanto a CDU mantém os dois eleitos e o BE um. Nesta votação, os socialistas perdem 700 eleitores, metade deles para os abstencionistas que aumentam quase quatro por cento nesta freguesia.

COrais Vitor

SEQUEIRA… SEM ONDAS

Não fazer muitas ondas parece o lema dos eleitores em Sequeira, com pequeninas oscilações na votação para aCâmara Municipal, em que PSD/CDS e PS aguentaram os seus apaniguados, com poucos ganhos dos primeiros e perdas irrisórias dos segundos.

Estas falta de ondas manteve-se na votação para a Assembleia de Freguesia, com novo cabeça de lista do PS que manteve o PSD/CDS à distância de três mandatos, ao eleger seis membros do PS. O PSD/CDS teve apenas mais nove votos que há quatro anos e o PS perdeu alguns votos para a CDU que não chegou a ter direito a assento na Assembleia de Freguesia.

SOBREPOSTA: MAIS VOTOS E MAIS LARANJA

O PSD/CDS conquistam em Sobreposta uma das suas melhores percentagens (66,55) para a Câmara Municipal contra uma das mais baixas dos socialistas que se limitam a 20,1 por cento. É verdade que apenas perderam 46 votos face a 2013, mas a Coligação conquistou mais 156 votos face aos 401 sufrágios de 2013. A CDU sobe ligeiramente (nove votos).

Para a Assembleia de Freguesia, uma troca familiar ou dinástica dentro do PSD/CDS permitiu a vitória com seis mandatos para o esquadrão laranja enquanto o MIPS, consegue três mandatos e 271 votos. Nesta “guerra, a CDU perde 90 dos seus 122 votos obtidos em 2013 e o seu eleito, mesmo assim, a Assembleia de Freguesia de Sobreposta fica menos desequilibrada que há quatro anos.

TADIM: PSD SEDUZ NOVOS ELEITORES

A meia centena de eleitores novos de Tadim explica o diferencial entre PSD/CDS e PS na votação para a Câmara Municipal de Braga. Os socialistas perdem 27 votos mas a Coligação Juntos por Braga recebe mais 61 votos. A CDU cresce 18 votos numa freguesia com alta taxa de participação eleitoral (74,1%).

Na Assembleia de Freguesia, o PS aumenta dez votos aos seu pecúlio (383 em 2013) e o PSD acrescenta 62 votos mas obtém mais dois mandatos por força do aumento de sete para nove membros, uma vez que Tadim ultrapassou a fasquia dos mil eleitores. Nesta votação, a CDU é a única que perde votos (desce de 49 para 32).

TEBOSA: SÓ 200 FICARAM EM CASA

Dos 949 inscritos, só 199 ficaram em casa no passado Domingo, na freguesia de Tebosa, a qual voltou a confirmar a vitória do PSD para a Câmara Municipal de Braga, com 460 votos.

O grande perdedor neste dia foi a candidatura do PS para a Assembleia de Freguesia, uma vez que o cabeça de lista de 2013 se passou para o PSD/CDS. O PS tentou evitar males maiores, com o antigo presidente, Francisco Cruz, mas não deu certo. O PS perdeu três mandatos e o independente (ex-PS) manteve a presidência e cincos mandatos.

U. F. ARENTIM E CUNHA: PS RESISTE

Nesta União de Freguesias, o povo não se fez rogado e respondeu ao apel9 9o das duas grandes listas, apresentadas pelos independentes (pró PSD ) e dos socialistas. A distância entre uma e outra não foi grande e traduziu-se em quatro mandatos para os socialistas e cinco para a LIPAC.

A mesma percentagem se verificou na votação para a Câmara Municipal com o devsio de meia centena de votos do PS para o PSD/CDS.

U. F. CABREIROS E S. JULIÃO PASSOS RECONHECE TRABALHO

A União de Freguesias de Cabreiros e S. Julião de Passos testemunha o trabalho dos candidatos do PS em prol da lista para a Assembleia de Freguesia e para a Câmara Municipal. É um dos melhores resultados para Miguel Corais (628 votos contra 673 para Ricardo Rio). O PSD/CDS perdem oito sufrágios numa eleição com menos 34 votantes.

José Silva pode dar-se por feliz om o resultado do seu trabalho em prol da sua lista e em favor de Miguel Corais e de Fausto Farinha. O professor fica a apenas a seis votos da candidata laranja para a Assembleia municipal.

Nas contas para a Assembleia de Freguesia, o PSD e CDS são quem perdem mais votos e a CDU sobre de 37 para 53 sufrágios. Feitas as contas, o PS mantém seis eleitos contra tr~es da Coligação Juntos por Braga.

IMG_7203

CELEIRÓS, AVELEDA E VIMEIRO: A CONSOLAÇÃO DO PS

Face ás perdas de Domingo, a “conquista” da UF de Celeirós, Aveleda e Vimeiro, por Manuel Gastão, para o PS, constitui a grande consolação para Artur Feio e seus camaradas de campanha. O anterior presidente não resistiu à sedução a que foram sujeitos outros autarcas socialistas, como em esporões ou Morreira, a troco de uns pavilhões ou piscinas.

Na votação para a Câmara Municipal, o PSD/CDS teve uma subida considerável de 350 votos, à custa do PS e da CDU.

Mas aqui se vê como o povo é sábio: na eleição para Assembleia de Freguesia, o PS obtém a maioria absoluta, com 1837 votos contra 1515 sufrágios para o pSD/CDS. A CDU viu-se arredada da Assembleia Municipal perdendo o seu eleito uma vez que baixou dos 327 para os 183 votos (grande parte deles para o BE). Mesmo assim, o PSD/CDS dá -se por satisfeito porque tinha quatro mandatos em 2013 e agora tem seis.

CRESPOS E POUSADA: OÁSIS DA CDU

Nesta União de Freguesias, junto ao rio Cávado, a CDU obtém uma das suas melhores votações, passando dos 19 para 43 votos, mais que duplicando os sufrágios. É curioso verificar uma raridade: o PSD/CDS baixaram a votação (de 625 para 564) numa união em que mais uma centena de pessoas decidiu ficar em casa nestas eleições. Ou não? Pois não, porque estas duas freguesias perderam quase 120 eleitores.

Quanto à Assembleia de Freguesia, os dois maiores partidos (PSD/CDS e PS) perderam votos mas mantiveram o mesmo número de eleitos, seis para a Coligação e três para os Socialistas que, há oito anos governavam estas duas aldeias.

Escudeiros e Penso 03

UF ESCUDEIROS E PENSO: PSD REFORÇA-SE

Apesar do notório esforço da candidatura socialista, cuja apresentação contou com a única presença de Mesquita Machado, o pSD reforçou a sua votação para a Assembleia de Freguesia desta tripla freguesia de Escudeiros e Penso (S. Vicente e S. Estêvão). Os socialistas perdeream 161 votos e um mandato enquanto a coligação PSD/CDS obteve mais 80 sufrágios e passa a ter seis elementos. A CDU foi a força que duplicou os seus 20 votos mas não foram suficientes para eleger um representante numa União em que a abstenção cresceu mais de dois por cento.

Para a Câmara Municipal, Miguel Corais não se pode queixar muito embora veja alguns votos fugir para o BE e a coligação voltou a vencer com mais 19 votos que em 2013.

ESTE: MENOS VOTANTES E MAIS CDU

As duas freguesias de Este (S. Mamede e S. Pedro) contribuíram para o aumento da abstenção nesta eleição, factor significativo quanto aumentou em uma centena o número de inscritos.

Para a Câmara Municipal, a Coligação Juntos por Braga teve mais de cem votos face a 2013, a CDU também cresceu (novo sufrágios), mas o PS perde 150 votos.

Quanto à Assembleia de Freguesia, o PS aguenta a sua votação na casa dos 900 votos e o meso acontece com PSD/CDS que não conseguem descolar e perdem quatro votos. A CDU cresce oito votos. A distribuição de lugares manteve-se (5 para PSD/CDS e quatro para o PS).

Corais ferreiros 01

FERREIROS E GONDIZALVES: POVO SABEDOR

Ferreiros e Gondizalves é uma das Uniões em que o povo se mostra sabedor. Para a Câmara Municipal, os eleitores reforçam em 240 votos Ricardo Rio, enquanto o pS perde aqui 140 eleitores. Para a Assembleia de Freguesia, João Costa assume-se como o “presidente”, com 2.247 votos contra os 1.728 do candidato da Direita numa freguesia onde aumenta a abstenção. Por força da bipolarização, a CDU perde o seu representante na Assembleia de Freguesia e quase metade dos votos. Desta quebra beneficia o PSD que elege mais dois membros, um à custa do PS e outro perdido pela CDU.

GUIZANDE E OLIVEIRA: ABSTENÇÃO DERROTADA

Nesta União de Freguesias, apenas a CDU e a Coligação Juntos por Braga sobem a votação face a 2013, mesmo com menos votantes, mas com uma das taxas menores de abstenção, uma vez que 81,4 % dos 895 inscritos foram às urnas. Exemplar para todo o concelho e para o país.

A Coligação reforça a votação para a Câmara Municipal mas cede terreno na Assembleia de Freguesia, sem diminuir o número de mandatos (quatro) que possuía. A estreia dos socialistas acabou por reforçar em três votos o score de há quatro anos mas não alterou o número (três) de eleitos. A CDU tem aqui uma bela ascensão passando de 12 para 42 votos.

LOMAR E ARCOS: CDU FIEL DA BALANÇA OU DA GERINGONÇA?

Nesta União de Freguesias de Lomar e S. Paio d’Arcos, Ricardo Rio dá mais 298 votos de avanço face a 2013, enquanto o PS perde quase uma centena e a CDU se aguenta e o BE sobe ligeiramente. A votação para a Assembleia municipal foi simpática para PS e para a CDU, com o PSD/CDS a perderem quase 200 votos, mas na eleição da Assembleia de Freguesia, o elenco de Manuel Dias não deu hipótese e conquistam mais votos (83). Titânica foi a luta dos socialistas que estiveram próximos da vitórias com 1436 votos — menos 109 que o PSD/CDS — numa batalha em que a CDU saiu a perder 122 eleitores. Na distribuição de lugares pode haver uma geringonça com seis mandatos para PSD/CDS, seis mandatos para o PS e um para a CDU que se mantém como fiel da balança ou bloqueio do funcionamento da Junta de Freguesia.

IMG_4206 CP

MAXIMINOS, SÉ E CIVIDADE: CHOURIÇADA OU BLOQUEIO?

Semelhante movimento de votos se verificou nesta União de Freguesias do coração de Braga, a a maioria PSD/CDS a subir ligeiramente enquanto a queda do PS em quase 400 votos, sendo uma das maiores em todo o concelho. A CDU resiste na votação para a Câmara Municipal, com mais 57 votos que os 877 obtidos em 2013 enquanto o BE não consegue segurar os 522 votos da CEM e desce 66 votos face ao resultado de há quatro anos.

Na Assembleia de Freguesia, a UF de Maximinos, Sé e Cividade conta com um elemento novo, a lista independente de Seco Magalhães, com uma campanha divertida que lhe vale quase dois mil votos, elegendo menos um membro que a lista PSD/CDS encabeçada por um ex-socialista, com cinco eleitos. Os socialistas foram os grandes perdedores, uma vez que, além de perderem a presidência d aúnica freguesia urbana, descem dos 2.399 para os 1 472 votos e elegem apenas três elementos, contra cinco há quatro anos. A entrada de Seco Magalhães também prejudicou a CDU que perdeu quase 400 votos e um dos dois eleitos que possuía. A nova maioria vai encontrar dificuldades para formar o executivo, uma vez que os independentes e o PS possuem maioria de bloqueio, a não ser que haja negociações de Luís Pedroso para formar uma equipa de gestão.

Captura-de-ecrã-2017-07-14-às-14.32.10

MERELIM S. PAIO, PANOIAS E PARADA DE TIBÃES: O REDUTO DA CDU

A tripla de S. Paio de Merelim, Panóias e Parada de Tibães manteve-se fiel a Carmindo Soares, o único presidente de Junta da CDU eleito no concelho de Braga, apesar da aposta numa cara nova por parte do PS, com Catarina Ribeiro.

A equipa de Carmindo Soares reforçou-se com mais um eleito (cinco), à custa do PS que perde um dos três membros na Assembleia de Freguesia e 402 votos. O PSD/CDS manteve dois eleitos e subiu ligeiramente a votação para 586 sufrágios, numa União em que baixou o número de votantes face há quatro anos.

Para a Câmara Municipal, a queda do PS foi menor (menos 206 votos), enquanto a CDU sobe e a maioria Juntos Por Braga tem mais 119 votos que os 1064 obtidos em 2013.

MERELIM S. PEDRO E FROSSOS: REGRESSO DA CDU

“Contaminada” pelo que se passa ao lado, a CDU regressou à Assembleia de Freguesia da União de S. Pedro de Merelim e Frossos, por causa dos 229 votos conseguidos (mais 61 votos que em 2013), à custa do PS que perde um dos quatro eleitos e desce 225 votos. O PSD/CDS apesar de terem menos votos que há quatro anos, conseguem manter os cinco eleitos e a maioria absoluta.

Na votação para a Câmara Municipal, O PSD/CDS sobem ligeiramente, o PS confirma a queda (menos 208 votos) e a CDU reforça-se com mais 39 eleitores.

MORREIRA E TRANDEIRAS: O COLAPSO SOCIALISTA

Nesta União de Freguesias de Morreira e Trandeiras, o PS foi o grande derrotado: perde um autarca, perde a Assembleia de Freguesia e muitos votos face às eleições de 2013. Foi o colapso toal.

Na votação para a Câmara Municipal tem uma queda de 16 por cento enquanto o pSD/CDS reforça a sua maioria. O PS nem se pode queixar da abstenção (70,4 % foram vota), ao descer de 555 votos e seis mandatos para 174 sufrágios e dois mandatos nas eleições de Domingo. A passagem de João Martins para a maioria Juntos por Braga confere-se 556 votos e sete mandatos, num total de nove. A CDU cresce de 24 para 31 votos.

IMG_4566

NOGUEIRA FRAIÃO E LAMAÇÃES: MUITA OBRA EM DOIS MESES

A União de Freguesias de Nogueira, Fraião e Lamaçães mereceu do PS uma aposta forte numa equipa renovada e inovadora, de gente nova com experientes socialistas. A irrequietude da equipa de Pinto de Matos não conseguiu passar a mensagem — apesar de ter hino e um programa exaustivo — aos quase 13 mil eleitores.

Mas uma coisa foi certa: os habitantes desta União nunca viram tanta obra em apenas dois meses e até os cães tiveram direito a uma prendinha.

Esta União foi uma das que registou maior abstenção no Concelho de Braga, com 59,1 % dde votantes. No boletim da Câmara Municipal, mais 600 habitantes reforçaram a lista de PSD/CDS, enquanto o PS perdeu 313 votos, muitos deles para a CDU que passa de 610 para 732 eleitores. O BE não segurou os 504 votos da CEM em 2013.

Na eleição para a Assembleia de Freguesia, o PS teve menos 197 votos e perdeu um eleito, ficando agora com quatro. O BE e a CDU mantiveram o seu eleito e esta coligação reforça a votação. O PSD/CDS conquista mais 415 sufrágios para o elenco de Goretti Machado e mais um eleito que lhe confere a maioria absoluta que não tinha.

Corais real

REAL, DUME E SEMELHE: FORTALEZA SOCIALISTA

A União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe mantém-se como um dos baluartes mais poderosos do PS no concelho de Braga. É aqui que Miguel Corais obtém uma das melhores percentagens, com 33,2 % de votos, segurando a votação de 2013 as parece ser o PSD/CDS quem vai buscar os novos votantes, numa União com a mais elevada taxa de abstenção do concelho de Braga (56,3% de votantes) e mais 706 eleitores que há quatro anos.

A força do PS nota-se na Assembleia de Freguesia em que reforça a votação, como aconteceu também com PSD/CDS. A CDU segura os seus dois eleitos, contra 4 da Coligação Juntos Por Braga e sete dos socialistas.

S. LUCRÉCIA DE ALGERIZ E NAVARRA: PS DE RASTOS

O PSD/CDS é grande vencedora nesta União de Freguesias, para a Câmara Municipal —mais dez por cento — e sobretudo na Assembleia de Freguesia. O PS perde mais de cem votos para a Câmara Municipal e para a Assembleia de Freguesia, onde tinha maioria absoluta, desde dos 341 para os 109 sufrágio. A subida do PSD/CDS é de apenas 25 votos mas permite-lhe ter a maioria absoluta, enquanto uma lista independente elege dois mandatos, com 186 votos.

Corais Leonardo

S. LÁZARO E S. JOÃO DO SOUTO: ABSTENÇÃO MAIOR

A CDU foi a única força que aumentou a votação para a Câmara Municipal na União de Freguesias de S. Lázaro e S. João do Souto. Na Assembleia de Freguesia, repetiu-se a cena de Nogueira, Fraião e Lamaçaes: o PS apresentou uma equipa poderosa, fez uma campanha activa mas perdeu mais de 300 votos e desceu para quatro eleitos. Pode consolar-se porque o PSD  e CDS perderam 800 votos, mas mesmo assim, reforçaram a presença com sete eleitos, por causa da maior abstenção de todo o concelho: metade dos habitantes não foram votar. A CDU não conseguiu repetir a votação para a Câmara Municipal e perde quase 200 votos mas segura o seu eleito, tal como acontece com o BE que susbtituiu a CEM. É curioso verificar que esta União de Freguesias do centro urbano— talvez por causa de S. João do Souto em desertificação progressiva — perde quase 200 eleitores.

VILAÇA E FRADELOS: NÚMEROS CRUÉIS

A União de Freguesias de Vilaça e Fradelos mostra a crueldade dos números no seu esplendor. Há quatro anos, o PSD/CDS teve 530 votos e perdeu a Junta para o PS por vinte votos. Agora, o PS tem menos 19 votos e perde a Junta de Freguesia para a coligação Juntos Por Braga. Foi uma derrota difícil de digerir numa dupla de freguesias em que os eleitores acorreram em grande número às urnas (78,4%) para dar 679 votos ao PSD/CDS para a Câmara Municipal contra 344 votos para Miguel Corais.

Distrito de Braga: PS perde 50 mil votos e 17 mandatos municipais em oito anos

O PS perdeu mais de 16 mil votos no distrito de Braga na votação de domingo passado para as Câmaras Municipais (de 190.816 eleitores, em 2013, baixa para 174.743, em 2017) e perde onze mandatos municipais. Mas se olharmos para os votos de há oito anos, o PS está em queda progressiva e dramática. Em 2009, o PS obteve 222.700 votos e 55 mandatos nos municípios, contra 49 há quatro anos. Seis dias após a ida às urnas reina um silêncio inquietante e ensurdecedor de todos os dirigentes. Estão todos em estado de choque e perderam a voz?

PS 00

Nestes oito anos, os grupos de cidadãos tem sido a força que mais cresce, uma vez que teve 14.500 votos em 2009, passou para 32 mil em 2013 e agora quase chegam aos 60 mil votos.

Neste movimento de votos, o PSD e as suas coligações têm resistido a esta erosão causadas pelos independentes, enquanto as forças de esquerda (CDU e BE) também não conseguem aguentar a pedalada dos “independentes”. O maior contributo este ano, para os independentes nas eleições para as Câ,aras Municipais, foi o PS e, for força dessa variante perde Terras de Bouro, Vizela e Póvoa de Lanhoso. Os independentes começaram com sete mandatos, cresceram para nove, há quatro anos e agora chegaram aos 17 mandatos, ou seja, quase duplicaram em apenas oito anos.

Por sua vez, a CDU manteve praticamente os memos votos, nestes oito anos com um vereador em 2009, dois em 2013 e agora volta a ter só um — em Braga — com a perda do representante em Guimarães e de quase 4.500 votos em todo o distrito.

Por isso, a CDU é outra perdedora, à escala da sua implantação, ao passar de 24.563 para 20.999 votos nas eleições de Domingo, perdendo um dos dois mandatos que possuía em 2013.

Mais complicadas são as contas relativamente a PSD e CDS, uma vez que se diversificam as coligações. O PSD sózinho baixou a sua votação (passando de 46.473 para 41.704 votos) mas sobe quando se coliga com o CDS e PPM acrescentando 28 mil votos aos 70.632 obtidos em 2013, que se traduzem em mais 16 mandatos.

Os grandes vencedores — por razões bem diversas — são os grupos de independentes que obtiveram mais de 16 mil votos que em 2013, fixando-se agora nos 58.660 sufrágios e mais oito mandatos.

Se é verdade que diminuiu o número de inscritos — em quase dois mil —, o facto positivo é o aumento da votação que passou dos 492.303 para os 504.479 cidadãos que exerceram o seu dever cívico no passado Domingo, em todo o distrito de Braga.

Em contra ciclo com a realidade nacional, o PS foi o grande derrotado destas eleições, com a perda de Amares, Vizela, Terras de Bouro, Amares para o PSD e Independentes, além da perda da maioria absoluta em Barcelos e a vitória tangencial em Fafe.

Em Vizela e Póvoa de Lanhoso, a derrota explica-se pelo aparecimento de independentes oriundos do PS. No primeiro caso venceu mas no segundo, os 1600 votos de Lúcio Pinto (na foto abaixo) impediram a vitória do partido que lhe deu tudo ao longo da sua vida. Também se registou uma divisão em Fafe, mas o PS acabou por vencer a contenda.

PS 01

Apesar do alarido, nas redes sociais e dos processos em Tribunal contra António Vilela, Vila Verde foi uma enorme decepção para o PS, baixando em mais de dois mil votos o “score” de 2013, fixando-se nos 10.358 votos que permitiram manter os três vereadores. O PSD acrescentou mais 2.600 votantes aos 12.055 obtidos em 2013. Nas freguesias, os resultados foram bem melhores para os socialistas, com mais seis mandatos num concelho onde o CDS — que já governou a Câmara Municipal — está em desaparecimento, perdendo os dez eleitos que possuía e mais de mil votos. Restam apenas 307 apaniguados em todo o concelho. A novidade das freguesias vilaverdenses é a eleição de um candidato da CDU.

DESASTRES EM AMARES E EM TERRAS DE BOURO

O descalabro total aconteceu em Terras de Bouro, onde o PS, que governava a Câmara Municipal passou dos 51,4 % para os 28,5% neste Domingo, perdendo 1300 votos. O PSD que teve apenas mais 200 votos que em 2013 sagrou-se vencedor, sem maioria absoluta, por causa da fuga de 1578 votos para uma lista de independentes que elegeu dois vereadores. Neste concelho, o número de votantes baixou cerca de 300 sufrágios e o PCP quase desaparece, descendo de 419 para 108 votantes.

PS 04

Amares era outro concelho socialista mas as divergências a meio do mandato levaram Manuel Moreira (na foto acima) para o PSD e ele voltou a vencer, com qusse sete mil votos, contra os três mil votos de há quatro anos. O PS perde mais de dois mil votos, divididos pelo PSD/CDS e pelo Movimento Mais que fez eleger o seu cabeça de lista, Emanuel Magalhães, com 1701 votos. O PSD tinha dois vereadores e agora tem cinco.

Em Vizela, outro concelho que chegou a ser o mais socialista do distrito de Braga, o PS perde quase metade dos votos, baixando de quatro vereadores para dois, enquanto os independentes (ex-PS) obtêm a liderança do município, com 5.606 votos. Vítor Salgado (na foto abaixo) recolheu os despojos.

PS 02

Em virtude desta guerra entre socialistas, o PSD perde um vereador e milhar e meio de votos, mas a CDU não pode rir-se pois baixou dos 616 para os 292 sufrágios, o mesmo acontecendo com o BE que perde metade dos eleitores.

Nas freguesias, o vendaval que atingiu os socialista é semelhante, com a perda de 15 mandatos, a maioria para os independentes que vão buscar mais 13 (dos seus 19) ao PSD.

PS ECLIPSA-SE EM ESPOSENDE E GUERRAS FRATRICIDAS

Saltemos agora até ao litoral, onde o PS desaparece do executivo municipal, onde tinha um vereador, fazendo companhia ao CDS/PP que também perde o seu. A candidatura do PSD quase dava um chito, ao eleger seis vereadores, com mais 1500 votos que há quatro anos.

A tentativa de João Cepa (ex-presidente eleito pelo PSD) resultou na sua eleição, com quase quatro mil votos, conquistados ao PS e sobretudo ao CDS que dá um tombo de 1300 dos seus 2013 sufrágios, em 2013. Os derrotados não se podem queixar dos eleitores porque estes aumentaram em quase dois mil, face ao acto anterior, e a afluência às urnas subiu quase seis por cento.

Do mal o menos, porque o PS aguentou-se nas freguesias, perdendo apenas um dos vinte mandatos conseguidos há quatro anos.

O PSD assegurou os mesmos 45 mandatos nas freguesias de Esposende, enquanto os Independentes passaram de 15 para 18 mandatos, porque o CDS perdeu seis dos seus sete eleitos e a CDU perdeu um dos dois. O MPT estreou-se com a conquista de cinco lugares nas assembleias de Freguesia (três em Fonte Boa mais dois em Belinho e Mar).

PS 05

Apesar do combate que lhe travou o ex-vice-presidente socialista, Domingos Pereira (na foto acima) — braço direito de Joaquim Barreto na Federação do Distrital do PS de Braga — Miguel Costa Gomes aguentou bem a sua lista socIalista, perdendo apenas um vereador dos seis conquistados há quatro anos. Perdeu também apenas2.628 eleitores. Apetece dizer que as “traições” não compensaram e a prova está na votação para a Assembleia Municipal em que o PS se aguenta bem (perde três eleitos). A candidatura de Domingos Pereira tirou um vereador ao PS e recuperou um vereador eleito como independente há quatro anos, oriundo do PSD. Beneficiou também do aumento de quase 2500 novos eleitores. No entanto, Miguel Costa Gomes terá de governar em minoria ou aliar-se ao PSD, uma vez que as posições extremadas com o seu ex-vice não auguram possibilidades de acordo de gestão municipal.

Nas freguesias, os danos foram maiores, com a perda de 52 mandatos em 254 conseguidos há quatro anos. O PSD manteve os seus eleitos e os cidadãos independentes, apoiados por Domingos Pereira, em muitos casos, passaram de 74 para 129 mandatos. Por força desta batalha entre dois socialistas, o PCP desapareceu das Assembleias de Freguesia de Barcelos e o mesmo destino teve o BE que perdeu o único eleito.

BE ESTREIA-SE EM FAMALICÃO

E CDU APAGA-SE EM GUIMARÃES

Em Vila Nova de Famalicão, apesar da qualidade do candidato, Nuno Sá, o PS perde um vereador e quase seis mil votos, o que traduz bem a derrocada num concelho onde teve já grandes vitórias eleitorais e governativas. Enquanto BE e CDU se aguentam, o PSD aumenta a sua votação à custa dos socialistas, em mais 6400 votos. Paulo Cunha elege oito vereadores está tudo dito. Maior descalabro aconteceu nas freguesias, com o PS a perder quase trinta dos seus 121 mandatos. É verdade que o PSD/CDS também perdem quatro, mas as perdas socialistas foram parar aos candidatos independentes que somam 31 aos 20 mandatos que possuíam em 2013. O PCP tem um resultado animador uma vez que passa de três para nove eleitos enquanto o Bloco se estreia nas Assembleias de Freguesia de Famalicão, em Oliveira (Santa Maria).

PS 06

Guimarães assume-se como um concelho fiel ao trabalho dos autarcas socialistas e reforça a sua votação em mais oito mil votos, mantendo os seis vereadores. Domingos Bragança  (na foto) teve um opositor brioso, André Coelho Lima, que trouxe mais cinco mil eleitores para o PSD/CDS que, de 31.174 ,passou para 36.452), com perdas assinaláveis para CDU enquanto o BE sobe meio milhar de sufrágios.

A CDU perde assim o seu vereador na Câmara Municipal de Guimarães, num concelho onde os novos eleitores são quase dez mil, o que pode ser ainda mais dramático para a coligação liderada pelos comunistas.

Nas freguesias, o PSD perde (sete mandatos) enquanto os socialistas acrescentam mais vinte mandatos aos 240 conquistados há quatro anos. É também nas freguesias que se acentua a quebra da CDU que perde mais de metade (15) dos seus 27 eleitos em 2013. Nem se pode queixar dos Grupos de Cidadãos que passaram a ter mais dois mandatos (14), nem o BE que continua sem ninguém nas Assembleias de Freguesia do concelho vimaranense.

No lavar dos cestos, confirmou-se uma difícil mas saborosa vindima para o PS em Fafe e Raúl Cunha até se pode dar por muito satisfeito: subiu a votação (mais mil votos) e a percentagem face a 2013, contra Independentes (ex-PS) e PSD/CDS.

Feitas as contas, o PSD segura os seus dois vereadores, mesmo com menos 600 votos, ao passo que os novos independentes foram buscar os votos dos independentes de há quatro anos, com apenas mais 800 votos, para elegerem três vereadores.

Os grupos de cidadãos — como era previsível — dominaram as Assembleias de Freguesia, com 111 eleitos, contra 93 já conquistados há quatro anos. O PS desde dos 93 para os 74 eleitos e o mesmo acontece, proporcionalmente, com o PSD que perde cinco dos 30 eleitos. No meio desta batalha intensa, no lavar dos cestos, a CDU obtém um bom resultado com sete eleitos contra apenas um em 2013.

PSD DESAPARECE NAS FREGUESIAS DE CABECEIRAS DE BASTO

PS 03

Mais outro caso emblemático: acossado por acusações em tribunal, o candidato do PSD perdeu mais de dois mil votos e a sua lista tem menos um vereador eleito. Um grupo de cidadãos foi buscar um vereador ao PSD e outro ao PS que passa a ter apenas um vereador na Câmara de Celorico de Basto.

Os socialistas perdem quase mil votos que ajudam os independentes (CIC) a eleger dois vereadores de uma assentada. O CDS volta a apresentar-se só e perde metade dos sufrágios e a CDU também desce por força do efeito do CIC e da diminuição de 200 eleitores face a 2013. O descalabro nas freguesias, para as listas do PS traduz-se na perda de 13 eleitos (dos 30 de há quatro anos), enquanto o PSD perde seis e o Grupo de Cidadãos passa de 22 para 42 eleitos. O CDS desaparece nas Assembleias de Freguesia de Celorico de Basto.

Ao lado, na terra de Joaquim Barreto, o sucessor de Serafim China Pereira na presidência da Câmara Municipal, Francisco Alves (na foto acima) consegue um belo feito: reforçar a votação com mais 700 votos e mais um vereador para a maioria absoluta sossegada. Os grandes derrotados acabaram por ser o PSD e CDS que apostaram as cartas todas no IPC (Independentes por Cabeceiras). Porquê? Este IPC conseguira 4535 votos em 2013. Agora, com apoio do PSD e CDS, apenas consegue mais 618 sufrágios quando o PSD e CDS obtiveram 1355. Com esta história mal contada aos cabeceirenses, o PS ficou com maioria absoluta na Câmara Municipal, o que é uma enorme tranquilidade para o nóvel presidente.

Nas freguesias, o PS perde quatro dos 49 mandatos que foram engrossar a fileira dos Grupos de Cidadãos (passam de 26 para 52). O desastre total é para a bandeira do PSD que desaparece das freguesias de Cabeceiras de Basto, onde tinha 22 mandatos. O mesmo acontece com a CDU que perdeu o único representante num concelho onde votaram menos vinte pessoas que há quatro anos.

VIEIRA E PÓVOA DE LANHOSO

COM SABOR A LARANJA

O concelho da Terra da Cabreira é testemunha do declínio dos socialistas, com Jorge Dantas a assumir uma derrota bem pesada, tendo em conta que já foi presidente do Município que conheceu tempos áureos com Travessa de Matos, que o conquistou ao grande senhor social democrata João Costa. A queda é estrondosa. O PSD sobe 858 votos mas Jorge Dantas perde 1633 votos! Mais, não consegue despertar os vieirenses que ficaram em casa: votaram menos 700 pessoas, face a 2013. O resultado foi o reforço do PSD — cinco vereadores — e a agonia do PS que perde um dos três vereadores municipais.

Escolhemos a palavra declínio porque, nas Freguesias, o PS perdeu quase metade dos seus eleitos (eram 69 e ficaram reduzidos as 33) enquanto o PSD conquista mais dois (55). Os independentes foram buscar esta parte de leão ao PS, com 30 eleitos contra oito nas anteriores eleições.

As esperanças depositadas na Terra da Maria da Fonte por dois socialistas esfumaram-se: Frederico Castro não venceu e Lúcio Pinto (como Independente) não foi eleito sequer. A bipolarização entre Avelino Silva (PSD) e Frederico Castro repetiu o score de mandatos na Câmara Municipal de há quatro anos: quatro para os sociais democratas e três para socialistas.

Lúcio Pinto conseguiu apenas 1606 votos que impediram a vitória do PS (cf. https://www.publico.pt/2003/09/30/jornal/novo-presidente-da-camara-da-povoa-de-lanhoso-recusa-eleicoes-intercalares-205954).

Essa é a verdadeira mágoa que hoje deve sentir o candidato apoiado pelo PS, Frederico Castro, que ficou a menos de 200 votos da vitória sobre o PSD. A candidatura do PSD perdeu 1183 votos, suficientes para Frederico Castro poder cantar vitória no Domingo à noite. Mais um caso de divisão entre socialistas, a juntar a Barcelos, Vizela e Amares.

Nas Freguesias, as assembleias não registam grandes alterações, a não ser o desaparecimento do CDS que tinha um eleito.

Fraião prepara festa do padroeiro

IMG_4413 Fraiao Tiago

A paróquia de Fraião prepara as festas em honra do seu padroeiro, S. Tiago, com um programa que decorre entre 21 e 23 deste mês, embora o dia do Santo Apóstolo seja o dia 25. Um pequeno grupo de fraionenses teima, a cada ano que passa, em evitar a morte destas festas mas, no ano passado, a adesão foi quase nula.

O programa tem carácter profundamente religioso e começa com uma Eucaristia no dia 21, às 21 horas, cantada pelo grupo coral, seguindo-se um arraial nocturno animado pelo conjunto Os bonitos.

Como dá conta uma nota do padre António Gomes Oliveira e da Comissão de Festas, a celebração do Padroeiro “prestigia e engrandece as tradições” da Freguesia de Fraião.

A partir deste Domingo, a Comissão vai percorrer as ruas de Fraião a recolher donativos para suportar os custos dispendiosos dos festejos.

Os que participam no peditório andam devidamente identificados e quem desejar um comprovativo para deduzir no IRS pode pedir. A julgar pelos documentos históricos, estas festas terão sido iniciadas no ano 904, pelo que é um brio pessoal dos antigos e novos habitantes de Fraião contribuir para “manter viva esta traição de homenagem ao nosso padroeiro Santiago” — destaca o apelo subscrito por Isabel Valentim, Manuel Abreu e Constantitno Leite, além do pároco de Fraião.

No Sábado, dia 22, depois da alvorada, um grupo de Bombos e lavradeiras partem para o peditório pelas ruas da freguesia durante toda a manhã. Ao começo da tarde, joga-se o Torneio do fito com bar aberto. À noite, regressam as cerimónias religiosas, com nova Missa cantada pelo grupo coral de Fraião, seguindo-se depois novo arraial nocturno com o artista Carlos Ribeiro até estralejarem os foguetes da sessão de fogo marcada para as 0,30 horas.

No Domingo, os catequizados da primeira Comunhão e da Profissão de Fé dão corpo a uma Eucaristia solenizada pelo Grupo Coral.

Às 18 horas começa a Adoração do Santíssimo, seguindo-se o sermão e a saída da procissão, que leva à frente a Fanfarra do Agrupamento de Escuteiros de Fraião.

A procissão sai da Igreja Paroquial e segue pelas ruas Padre Feliciano, Devesa, Boavista, Fonte Seca e regressa à Igreja. Dois grupos folclóricos em palco, a partir das 21 horas, esperam ter mais gente a ouvi-los e a apreciá-los que no ano passado.

A Comissão de Festas agradece a colaboração, no peditório do segundo dia, mas esperam com maior satisfação que os habitantes de Fraião participem nestas actividades.

IMG_3077.JPG

UM POUCO DE HISTÓRIA DE UM NOME VISIGODO

Fraião é um nome do tempo dos Visigodos. É uma afirmação que não deve sofrer grande contestação porque o primeiro documento que nos fala de Fraião data de 1089, o qual foi pretexto para o anunciado Congresso Internacional comemorativo do IX centenário da existência da Freguesia. Esse documento é o ‘Liber Fidei’, um dos mais ricos cartórios eclesiásticos portugueses, e faz referência a uma doação de um casal, Paio Peres, à Sé de Braga, dedicada também nesse ano. Essa doação é confirmada por outro documento do século XVIII, “O contador de Argote”, onde se especifica que a fazenda doada fica em Fraião.

Em termos paroquiais, a primeira referência data dos finais do século XIII, de acordo com recolha de elementos informativos constantes das Inquirições e 1220 e de 1290. Era em tempos idos uma freguesia pobre, incapaz de sustentar um pároco, pelo que foi anexada á vizinha freguesia vimaranense de S. Cristina de Longos, em meados do século XV, situação que se manteve até 1525. Hoje, por razões diferentes, o pároco de Fraião é o de Lamaçães mas o bairrismo da freguesia está em agonia.

Em termos administrativos, Fraião estava anexada a Nogueira e apenas se tornou independente em 20 de Fevereiro de 1903. Ainda hoje, Fraião, uma freguesia cujo núcleo mais antigo se situa na rua da Boavista, possuía uma igreja paroquial pequenina, que só há poucos anos foi substituída por um novo templo.

Na década de 90 do século passado, a freguesia de Fraião foi abanada na sua pacatez pela instalação de grandes superfícies, das quais se destaca pela sua grandiosidade, o Minho Center-Carrefour, para além do Office Center,, o Aki e o San Luis. A implantação destes hipermercados e das novas urbanizações acabaram com a exploração agrária de quintas existentes entre Lamaçães e o vale do rio Este, de grande fertilidade.

Uma dessas quintas, a da Senra de Baixo, ainda ostente motivos patrimoniais que convinha fossem salvaguardados, entre eles um dos marcos que separa Fraião de Lamaçaes e um belíssimo fontanário do século XIX.

A construção do Hipermercado Carrefour obrigou à trasladação da antiga fonte das águas férreas, para um espaço renovado e devidamente recuperado, que é ponto de ‘peregrinação’ para milhares de bracarenses que ali se abastecem de água.

IMG_3082.JPG

Monumentalmente, a freguesia de Fraião é pobre — pode escrever-se sem erro que é uma das mais pobres do concelho de Braga — e o sítio mais mediatizado é a fonte das águas férreas, dominado por um pequeno fontanário que terá sido o primeiro desenho do grande Carlos Amarante.

Trata-se de uma fonte que é conhecida pelo menos desde 1773, pelas suas características medicinais, sendo divulgada nas grandes publicações de hidrologia, a que se refere Pereira Caldas, em 1851. Já nessa altura, esta água é definida como cloretada comsódio e ferruginosa.

A nascente de Fraião era aquela que apresentava maiores teores de ferro, a partir de compostos de ferro acumulados no aluvião.

Na fonte à qual recorrem agora centenas ou milhares de pessoas, jorra água de uma nascente situada onde existe a rotunda que dá a para a avenida Alfredo Barros, entre o Carrefour e o Office Center, a 50 metros da antiga nascente e não é por isso uma emergência natural de água férrea. Trata-se do aproveitamento por gravidade de uma nascente situada a 200 metros para Sul da localização da fonte. No entanto, não deixa de ser uma água hipotecam, cloretada sódica, com teores de ferro extremamente baixos, pelo que pode ser considerada uma água mineral natural, cuja pureza é fiscalizada por análises trimestrais.

Fonte_Aguas_Ferreas.jpg

FONTE CONSTRUÍDA PELA CÂMARA

A fonte original foi mandada construir pela Câmara Municipal de Braga, no sítio que “fica místico ao Espadanido, arrabalde desta cidade, para asseio e resguardo e poder o povo com melhor comodidade servir-se da água férrea novamente descoberta”.

A empreitada foi entregue a Paulo Vidal, em 30 de Julho de 1773, um mestre pedreiro e morador na freguesia de Adaúfe, por oitenta reis, com “obrigação de a fazer na forma do risco que se lhe entrega assinado pela Câmara, como também mudará o rio, fará o desentulho, formará as paredes de segurança dele, tudo à sua conta e na forma do risco que viu e lhe foi apresentado”. Esta deliberação camarária mostra também o abandono a que esta fonte estava votada no século XVIII.

Mais tarde, em 1851, há notícia do pagamento de 18 reis a José António Peixoto Braga, por 600 exemplares dos “ensaios analíticos das águas férreas de Fraião”.

A fonte mergulhou de novo numa fase de algum abandono ao qual foi posto cobro no final do século passado, com a construção do Hipermercado Carrefour, cuja implantação levava à demolição da Fonte.

Argumentando que a fonte era pública, a Junta de Freguesia de Fraião, opôs-se à sua demolição e resgatou-a, mediante um acordo celebrado com os representantes da multinacional francesa, para o domínio dos cidadãos, cedendo na sua localização, cerca de 200 metros a norte do local onde se encontrava e se destinava a armazéns de recolha de mercadorias do Hipermercado.

Trasladada para um quarteirão público e vedado com uma sebe, a fonte é hoje procurada por centenas de pessoas que, diariamente, ali enchem os garrafões de água para consumo. Só é pena que alguns aproveitem para ir à água e levem os cães que conspurcam o pequeno relvado que a circunda… mas isso é uma questão de civismo e respeito pelo que é dos outros que não se guarda em garrafões nem brota da fonte…

A par da implantação destas superfícies comerciais, os terrenos disponíveis e que davam a Fraião um ar de ruralidade passaram a urbanizáveis, reforçando o número de habitantes de Fraião nuns bons milhares de residentes, em novos blocos habitacionais em construção.

Egídio Xavier Guimarães:

a chama que não se apaga’

A freguesia da fonte das águas férreas possui uma chama que não se apaga porque continua depois desta vida outra vida (Luís Murat) e da qual todos se recordam ao passar junto ao portão que dá acesso à quinta de Calvelo de Cima: o dr. Egídio Xavier Amorim de Sousa Guimarães.

Faz vinte anos no próximo dia 27 de Dezembro que faleceu, após uma queda junto à Igreja de S. Lázaro, mas deixa aos bracarenses uma herança cultural e de combate pela cidadania que deve orgulhar os habitantes de Fraião, onde viveu durante décadas, depois de ter nascido na Póvoa de Varzim, em 7 de Julho de 1914, apesar de ter profundas raízes familiares em Braga. Da cidade de Braga nunca se ausentou por muito tempo, excepto quando era criança e viajou com os seus pais para Moçambique, numa ida episódica. Pode-se dizer que Braga foi o seu berço, o seu lar e o seu túmulo, para além de ter alimentado uma paixão desmesurada pela Cidade dos Arcebispos.

Assim, o seu grande projecto, inacabado, era uma ‘monumental bibliografia bracarense’, acompanhada de algumas memórias, onde os estudiosos pudesesm beber tudo o que fosse necessário saber acerca de Braga.

Depois dos estudos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde concluiu uma formatura em histórico-filosóficas e depois uma especialização em bibliotecário-arquivista, foi nas viagens que empreendeu pela Europa que culminou toda a formação de um grande humanista, lutando em favor de uma ideia de Humanidade, de Pátria e de Cidade que os cépticos nunca viram com bons olhos.

Entre 1964 e 1969 integrou o executivo municipal de Braga, como vereador da Cultura, cujo exercício ficou marcado pela realização de grandes congressos, como o Congresso Internacional de homenagem a São Frutuoso, o apoio à investigação arqueológica, com incidência notável na recuperação e salvaguarda da romana Bracara Augusta, na colina da Cividade e, acumulando com o cargo de Director da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga, permitiu criar as condições de apoio para os projectos de pesquisa do historiador de arte americano Robert Smith.

Além de escrever regularmente na revista Bracara Augusta, na altura dirigida por outro grande amigo de Egídio Guimarães, Francisco Bacelar Ferreira, fez sentir a sua influência decisiva na realização de outros congressos internacionais efectuados em Braga, como o de S. Martinho de Dume e o de André Soares.

Mais tarde, já no regime democrático pós 25 de Abril voltaria a exercer as funções de vereador como eleito pelo PPM (Partido Popular Monárquico) numa lista do PSD, em 1989.

Entre a década de setenta e a de noventa participou ainda como elemento destacado da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia, de curta vida, e a Comissão Arquidiocesana de Arqueologia e Arte.

Sócio número um da ASPA e presidente do seu Conselho Fiscal, prefaciou obras sobre Moura Coutinho e Manuel Monteiro, além de ter colaborado na revista Mínia e na imprensa de Braga.

Depois da integração da Biblioteca Pública na Universidade do Minho, seguiu-se a fase da sua vida onde melhor pôde desenvolver a usa ideia de pátria e de cidade.

Além de militar em experiência literárias na “Quatro ventos”, desenvolveu profundas ligações de amizade com grandes intelectuais portugueses e estrangeiros, mas ainda teve tempo para colaborar em iniciativas como o Círculo de Cultura Musical que teve uma grande actividade em Braga nos anos 60, a Alliance Française em Braga ou ainda a Delegação de Braga da APPACDM, onde com a esposa, D. Lucinda, e o dr. Félix Ribeiro lançaram as primeiras estruturas de apoio aos deficientes mentais, cumprindo a lição transcrita em livro “O meu amigo Gervásio e a sua filha catedrática, publicado em 1986 e dedicado à sua filha Maria João.

Mas para apreciar melhor o que é Fraião, aceitemos percorrer lugares ainda desconhecidos da freguesia situada no sopé do Monte de Santa Marta e do Sameiro.

O primeiro enigma está na praça da Sede de Junta de Freguesia onde existe um nicho cuja inscrição se lê: “Almas de Lamaçães”. Para um desprevenido, pode dar a indicação que se enganou no caminho e não está em Fraião, mas tudo tem a sua explicação. Trata-se de umas alminhas que ali foram colocadas mas ninguém sabe de onde vieram. Por isso, resolveram o problema desta maneira e em vez de escreverem às Almas desconhecidas, escreveram “Almas de Lamaçães”.

Desfeito o equívoco – afinal, estamos em Fraião – seguimos até à praça do dr. Manuel Faria (conhecido Chefe dos Escuteiros), onde foi demolida uma ilha onde viviam cinco famílias em frágeis condições e no seu lugar nasceu um prédio com cinco habitações para cada um daqueles agregados que viviam na miséria e sem condições de vida, com o patrocínio do Carrefour.

Nova igreja paroquial

Depois demos uma saltada até junto da pequenina Igreja paroquial, agora substituída por um novo templo com cerca de três mil metros de área.

Trata-se de uma igreja simples à qual foi feito, em 1993, um acrescento com a construção do Salão paroquial, inaugurado há vinte anos.

Sem grandes espaços e lazer, Fraião tem de aproveitar alguns terrenos disponíveis nas principais urbanizações para esse fim. É o caso da chamada urbanização da Quinta, junto à Travessa do Passal, onde existe um parque de lazer que se enquadra perfeitamente na área mas a precisar de maior utilização pela infância e os idosos.

Por falar de lazer e desporto, uma das velhas ambições ressuscitar o clube Os Maikes de Fraião, cuja actividade desportiva já viveu grandes momentos de glória pelas conquistas no futebol distrital.

Panorama lindíssimo

Lindíssima é a urbanização de Calvelo de Cima (a partir da casa onde viveu Egídio Guimarães) , discretamente implantada por entre a vegetação em direcção a Santa Maria Madalena da Falperra e de onde se avista uma panorâmica ímpar sobre a cidade de Braga.

Deixamos a parte mais antiga de Fraião para descermos até junto do Minho Center (Carrefour), onde, à sua volta, ‘nascem’ centenas e centenas de fogos para habitação, na margem de novas ruas e avenidas.

Mas nesta viagem não podíamos evitar a Quinta da Senra de Baixo, um grande celeiro de Fraião em décadas passadas e agora praticamente reduzida à casa agrícola da quinta mas onde existe algum património que não deve deixar-se degradar.

Junto à casa de lavoura encontravam-se uns marcos delimitadores da freguesia com a inscrição ‘SIP’ e um lindo conjunto de granito com bancos, fonte e tanque construído em Setembro de 1858.

Nesta viagem passamos também junto da Fonte das Águas férreas, o ex-libris da freguesia em termos monumentais.

A nossa visita termina no Campo Escola do Corpo nacional de Escutas, oferecido por Calouste Gulbenkian, e fundado em 1 de Julho de 1963 e por onde já passaram milhares de jovens nas suas acções de formação do escutismo.

Ponte de Lima: António Feijó sacerdote da Beleza e da Verdade

Norton de Matos definiu António Feijó como um “sacerdote da Beleza e da verdade e nada pode haver na sua obra que representa a apologia do egoismo e de baixos sentimentos”. O General aludia assim ao seu primeiro poema Sacerdos Magnus publicado em 1881 e representado num sarau em Coimbra.

Vem esta afirmação, feita em 1938, quando Ponte de Lima ergueu um monumento ao poeta, a propósito do centenário da morte deste Homem que cantou o rio Lima e diplomata, ocorrida em Estocolmo, a 20 de Junho de 1917.

Antonio_Feijo

Cândido Martins, um dos seus maiores estudiosos e editores, sustenta que “a voz emocionada e romântica, ou bucólica e nostálgica, mas também virtuosa e humorada de António Feijó ficará para a história da literatura portuguesa como uma criação representativa da plural renovação do fim de século português” (cf MARTINS, José Cândido de Oliveira, in “A escrita do sagrado na poesia de António Feijó: dos ecos mitológicos ao religioso cristão”, In Teografias, Aveiro, 2011, 49-62).

Sobre ele, David Mourão Ferreira — outro dos seus grandes leitores — disse: «António Feijó […] é um daqueles poetas que dificilmente podem filiar-se nesta ou naquela escola, neste ou naquele movimento [literário].» Estudos recentes o comprovam, porque António Feijó, visceralmente romântico, na preferência por certas temas – a noite, o outono, a morte, – foi um clássico pela cultura, pela disciplina, pelas exigências de perfeição formal,

Tendo despertado para a “criação poética em plena efervescência realista e parnasiana, um tanto sob a asa de Junqueiro, não menos sob o signo do bracarense João Penha, vai-se mostrando, progressivamente, permeável às difusas sugestões de um vago simbolismo que “a princípio procura satirizar, mas em cujas malhas de indefinível sortilégio pouco a pouco se deixa envolver” (cf. FERREIRA, David Mourão, in Tópicos de Crítica e de História Literária, Lisboa, União Gráfica, p. 233)

DIFÍCIL DE CATALOGAR

Segundo Manuel da Silva Gaio, António Feijó “é, entre nós, o primeiro representante do Parnasianismo” (cf. “La jeune Littérature Portugaise”) e Jorge de Sena chamou-lhe “estranhamente parnasiano” (cf. SENA, Jorge, in A poesia de Teixeira de Pascoais, Porto, Brasília Editora, 1982, p23).

Estamos perante uma figura umbilical e literariamente ligada ao bracarense João Penha, apontado como “fundador da estética parnasiana” (cf. LOPES, Óscar e SARAIVA, António J., in História da Literatura Portuguesa, p. 949).

Nesse sentido, a investigadora brasileira Zulmira Marques Santos coloca António Feijó no mesmo grupo de João Penha, Gonçalves Crespo e Cesário Verde (cf. “António Feijó — uma poética de síntese”, Mestrado de Literaturas Românicas Modernas, Faculdade de Letras do Porto, 1988, pp. 16 e 17).

A sua poesia é difícil de catalogar, uma vez que há quem o considere “parnasiano”, ou “estranhamente parnasiano” ou momento de “mudança dentro do Parnasianismo” (cf. SANTOS, Zulmira, in Art. cit., p.20).

Depois destas citações todas, o leitor pergunta: mas, afinal, o que é o parnasianismo? É um movimento literário essencialmente poético, contemporâneo do Realismo-Naturalismo que se desenvolveu partir de 1850, em França, para retomar a cultura clássica. Caracteriza-se pela sacralidade da forma, pelo respeito às regras de versificação, pelo preciosismo rítmico e vocabular, pelas rimas raras e pela preferência por estruturas fixas, como os sonetos.

NA RIBEIRA LIMA

Nasceu na Ribeira Lima, um lugar onde a harmonia das coisas se revela com única expressão natural e “nos enlaça tão suavemente pelos montes pouco impetuosos e torturados cujas encostas “descem macias” e tingidas de “uma cor meigamente violácea”.

Talvez por causa deste cenário, António Feijó se afirme perante nós como alguém que sabe “exprimir o que não sabemos dizer” porque o seu papel na comunidade foi “servir-se do seu poder de expressão para nos mostrar e fazer compreender a ânsia de beleza, de verdade, de justiça que nos enche a alma”.

Estamos perante uma personalidade a quem “muito deve a terra em que Feijó nasceu ao alto poder de expressão”, mas também é verdade que “o génio do poeta não teria sido o que foi, se não tivesse a embalá-lo desde o berço a beleza das coisas que nos cercam, as vetustas tradições da sua vila, o espírito de comunidade de que fez parte” — assinalava o grande militar e democrata português, oito anos mais velho que o poeta.

Nesse sentido, concluía, “Ponte de Lima e António Feijó estão indissoluvelmente ligados” num tempo em que se “cantava mais nas fontes, no rio e nos campos” ( cf. MATOS, General Norton de, in Memórias e trabalhos da minha vida, Coimbra, Imprensa da Universidade, Vol. III, 2005, pp. 239-245)

Norton de Matos recorda a infância de António Feijó, pouco tempo passado sobre o fim da guerra civil, em que se “vivia uma vida tranquila e ordeira, dos lutadores, miguelistas e liberais” e “principiavam os homens a respeitarem-se uns aos outros novamente; via-se claramente que nas ideias que mais antagónicas pareciam, muito havia de comum — para que serviu tão cruenta luta, tanto sofrimento, tanta tristeza, perguntava-se”.

É esta envolvência geográfica e política que cria toda a existência de Feijó e “se revela através de toda a sua obra”.

O rio Lima é um elemento essencial na vida e obra de António Feijó e, de qualquer das suas margens, “o panorama que se contempla deslumbra-nos sempre e parece dizer-nos mansamente que a felicidade suprema reside no espaço restrito onde nascem as fontes que alimentam o rio”.

Para António Feijó, o rio Lima é “o companheiro mais querido” porque, “fora das época das cheias, desliza mansamente e pleno de encanto, as suas águas descendo nessa luz reflectida, a tremer como um luar, deixa a descoberto aqui e além, as areias do seu leito para que a gente ribeirinha venha junto dele fazer as suas feiras e celebrar as suas festas” reflectidas no “grande lençol de água que o mar puxa para si” — escreveu Norton de Matos, citando o poeta.

António de Castro Feijó nasceu em Ponte de Lima no dia 1 de Junho de 1859, tendo sido um poeta e diplomata. Como poeta, António Feijó é habitualmente ligado ao Parnasianismo e o final da sua obra tende a um certo tom fúnebre.

A 20 de junho — dia em que se assinala o primeiro centenário da morte de António Feijó (1917-2017) —, o Município de Ponte de Lima abre uma exposição de homenagem ao poeta-diplomata ponte-limense, considerado um dos maiores vultos da literatura portuguesa do fim do séc. XIX.

Intitulada “António Feijó, 1917-2017: memórias e revisitações”, a mostra bio-bibliográfica de tributo — patente ao público na varanda interior da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima —, congrega 14 painéis, generalistas e temáticos, que evocam os principais momentos da vida e obra do autor de “Sol de Inverno”. Aí se podem apreciar os livros deixados por António Feijó, artigos vários de jornais da época, nacionais e estrangeiros, com particular destaque para os periódicos suecos e brasileiros.

A exposição comemorativa, que pode ser visitada de 20 de Junho a 31 de Outubro de 2017.

JUVENTUDE EM BRAGA

António de Castro Feijó nasceu em Ponte de Lima, Concluiu o liceu em Braga, depois de ter estudado em Viana do Castelo e licenciou- se depois em Direito, pela Universidade de Coimbra, em 1883. Apesar da importância de António Feijó na literatura portuguesa, este poeta permanece desconhecido do grande público.

Em duas vertentes principais se distinguiu António Feijó: como diplomata, discreto, mas dedicado e competente, por um lado; como poeta que nos legou «uma importante soma de poesia […] que constitui um límpido repositório lírico, ora comovente, ora saboroso», como escreveu David Mourão Ferreira.

A biografia de António Feijó pode ser repartida em dois períodos relativamente distintos.

O primeiro vai, desde o seu nascimento, a 1 de junho de 1859, em Ponte de Lima, até ao final do curso de direito, em Coimbra, frequentado entre 1877 e 1883, com uma prévia passagem por Braga, onde fez os estudos preparatórios.

É um tempo marcado pela vida de estudante, com as naturais experiências afectivas e boémias mais ou menos originais, a nível pessoal e social.

O segundo período, falhada a vocação para advogado, é dominado pela carreira diplomática. Situa-se entre 1886, ano em que é nomeado Cônsul no Brasil, e o dia 20 de junho de 1917, data do seu falecimento, em Estocolmo.

Entre 1891 e 1917, durante 26 anos consecutivos, exerceu funções de Cônsul Geral e de Encarregado de Negócios, em Estocolmo e em Copenhaga, para poucos anos depois, em 1906, ascender à categoria de Ministro Plenipotenciário.

Em 24 de Setembro de 1900, tinha 41 anos, casa com Maria Luísa Carmen Mercedes Joana Lewin, uma jovem sueca de 22 anos, filha de pai sueco e mãe equatoriana.

António Feijó foi um homem que, mesmo enquanto diplomata, gostava de gozar a vida, do bem viver e de viver bem. A este respeito, Cândido Martins descreve o nosso poeta como tendo sido «sempre um fidalgo culto e distinto, espirituoso e expansivo.» Refere, a propósito, que não faltam «os testemunhos que realçam a [sua] lucidez irónica e a saudável alegria, verdadeiramente contagiantes.» E remata: «são inúmeros os ditos graciosos e as situações anedóticas protagonizadas pelo poeta e diplomata limiano, homem folgazão, de convívio desejado, repetidamente alcunhado de “opíparo Feijó” por Guerra Junqueiro.»

Num carta, Emília de Castro, esposa de Eça de Queiroz, «preocupada com a frágil saúde do marido», fala do «“temível” Feijó como responsável por desencaminhar os amigos íntimos para memoráveis e desmedidos repastos gastronómicos.»

Para exemplificar este lado divertido e folgazão de Feijó, são de ler ou reler, por um lado, em primeiro lugar, Bailatas, de 1907, e Novas Bailatas, publicado, postumamente, em 1926.

Depois, entre outros, o belo livro O Mistério da Estrada de Ponte de Ponte do Lima – António Feijó e Eça de Queiroz, de A. Campos Matos. E de Luís Dantas, António Feijó – A Boémia Estudantil e os Primeiros Versos, publicado em 2008.

O pessimismo que se encontra, com frequência, em muitos poemas de Feijó é, por isso, mais aparente que real, é mais estético que ético.

O casal teve dois filhos – António Nicolau e Joana Mercedes.

Apesar de mais nova 19 anos que o marido, Carmen Mercedes faleceu, prematuramente, em 1915, vítima de sofrida e prolongada doença. António Feijó não resistiu ao doloroso golpe: amavam-se profunda e intensamente.

Dois anos depois, em 1917,o poeta sucumbia a um duro ataque de gota.

Os restos mortais de Carmen Mercedes e de António Joaquim de Castro Feijó (o seu nome completo) encontram-se no cemitério de Ponte de Lima, para onde foram trasladados de Estocolmo, em 1927, é na legenda tumular «O amor os juntou e nem a morte os separou» que se perpetua a memória do profundo amor que este casal entre si comungou.

Vem a propósito recordar o poema «Eu e Tu», incluído no livro Sol de Inverno – Últimos Versos, que transcrevemos em caixa repleto de sentimento amoroso e de uma subtil sensualidade. Nele se encontram, por outro lado, claras influências parnasianas e simbolistas.

Na sua Juventude começa a publicar em jornais, actividade que manterá ao longo de quase toda a sua vida.

Cursa Direito na Universidade de Coimbra entre 1877-1878 e 1882-1883. Reprova no primeiro ano, facto que o transforma de «estudioso aplicado» em «cábula habilidoso», segundo as suas próprias palavras.

Com Luís de Magalhães funda em 1880-1881, nessa cidade, a Revista Científica e Literária, de orientação positivista e escreve um folheto intitulado Sátira funambulesca sob o pseudónimo de Frá-Diávolo.

Em 1882 publica Transfigurações, com poesias escritas entre os anos de 1878 e 1882 (incluindo o texto poético Sacerdos magnus que já tinha sido publicado em Coimbra em 188116).

Em 1884, saem as Líricas e bucólicas, antologia com poesias escritas entre 1876 e 1883. Um destes cinquenta e quatro poemas intitula-se “Sobre o rio Thchú (do poeta chinês Thu-Fú)” e integrará depois o Cancioneiro chinês.

Desde os fins de 1886, contudo, sofrendo com o ambiente social e o clima, começa a pensar na sua transferência do Brasil (chegando inclusive a sonhar com o consulado de Xangai (18), o que obtém apenas em 1890.

Goza então seis meses de licença em Portugal. No fim desse ano é publicado o Cancioneiro chinês.

Em 1891 parte para a Suécia onde exerce os cargos de cônsul-geral e de encarregado de negócios interino. Volta a Portugal intermitentemente, por períodos mais ou menos prolongados, publicando, em 1897, a colectânea de poemas Ilha dos amores.

Em 1907 saem as Bailatas sob o pseudónimo de Inácio de Abreu e Lima, com um prefácio assinado por ele próprio.

O espólio de cartas do poeta é riquíssimo e é uma fonte de informações pessoais e sócio-culturais valiosas, como é o caso das interessantíssimas cartas entre o poeta e Luís de Magalhães.

NOS CEM ANOS DA MORTE DE ANTÓNIO FEIJÓ

Cancioneiro Chinês (1890)

obra prima do poeta limiano

COSTA GUIMARÃES

António Feijó expôs o seu «princípio estético», na seguinte frase: «na minha estética un vers n’est jamais bien quand’il peut être mieux.»

Viajamos agora pela sua obra que começa com Sacerdos Magnus, o primeiro livro, se assim podemos chamar, que Feijó publicou, em 1881. É um longo poema, épico e elegíaco, composto e recitado, em 1880, em Coimbra, durante as celebrações do tri-centenário da morte de Camões. O poema aparece depois integrado no livro Transfigurações, em 1882, onde reúne poemas escritos desde 1878 e revela «a influência» do pessimismo de Schopenhauer, por um lado, e as “doutrinas largamente proclamadas de Augusto Conte e Herbert Spencer», por outro.

Aqui encontramos poemas da juventude, escritos nos tempos de estudante em Braga e Coimbra. Dada a extensão dos poemas, ouçamos um fragmento de «Esfinge Eterna», datado de 1880, recolhido em Transfigurações.

Não é suficiente a letra do Evangelho…

Para erguer a razão das trevas onde cai

Inflamem-se de novo as sarças do Sinai!

Que o saber alimente e eleve a inteligência!

Para tranquilizar a nossa consciência

Não basta simplesmente o que nos diz a fé:

O que ensinou Jesus e o que ensinou Mahomet!

 

Segue-se Líricas e Bucólicas, em 1884, onde Feijó reúne poemas escritos entre 1876 e 1883, isto é, poemas escritos antes de Transfigurações.

Ilha dos Amores é publicado em 1897. São XXIX pequenas oitavas, introduzidas por um «Prelúdio». O objecto poético de todos estes versos é, de novo, uma mulher que o sujeito poético amou e de quem continua a sentir saudades. Feijó encontrava-se, então, no «exílio» de Pernambuco.

É na «Alma Triste» que se encontra «Inverno», cujas quadras da segunda parte foram adotadas como hino de Ponte de Lima:

«Nasci à beira do Rio Lima,

Rio saudoso, todo cristal;

Daí a angústia que me vitima,

Daí deriva todo o meu mal.»

 

Bailatas, publicado em 1907, é o último livro que Feijó publicou em vida, ao lado de Novas Bailatas, postumamente publicado, em 1926. O poeta assina-os, porém, com o curioso pseudónimo de Inácio de Abreu e Lima. Pseudónimo? Mourão-Ferreira afirma que «era praticamente um heterónimo, no sentido em que Fernando Pessoa viria depois a pôr em voga esta palavra.»

Finalmente, Sol de Inverno, publicado em 1922 , mas pronto em 1915, ano da morte da esposa.

Sol de Inverno é considerado, pelos estudiosos da obra poética de Feijó, o melhor livro. Cândido Martins considera-o «uma verdadeira obra prima, síntese de um lirismo magoado e nostálgico, profundamente outonal e crepuscular»-

Por sua vez, Mourão-Ferreira regista: «Por meio do Símbolo, António Feijó, simultaneamente, oculta e descobre o que há de mais íntimo em si. Por isso mesmo, quando nos fala do “Cisne Branco, esquecido a sonhar no alto Norte” e que se vê, “ao despertar, das neves prisioneiro”, nós sentimos perfeitamente que é de si próprio que ele fala…»

António Feijó dedicou-se à tradução literária. Neste campo, verteu para português A Viagem de Pedro Afortunado, peça de teatro em cinco atos, do sueco Augusto Strindberg, em 1906, para além da Viagem em Portugal, 1798-1802, de Carl Israel Ruders, publicado em 1981.

A publicação do Cancioneiro chinês, em Outubro de 1890, é unanimemente aclamada pela crítica que o considera a “manifestação mais clara do código estético configurador do Parnasianismo” (cf. Santos, Zulmira, in art.cit. p.59) e a única.

São poemas, criativa e intensamente trabalhados, que Feijó traduziu, não directamente do chinês, mas do francês, a partir do Livre de Jade (1867), por Judith Gauthier. No entanto, a investigadora brasileira Zulmira Santos (in. Art. Cit., p.58) sustenta que esta obra “não foi elaborada a partir do Livre de Jade, mas de Dragon Impérial. Foi António da Costa Lopes, investigador bracarense, quem descobriu que Feijó revela, em “Cartas Íntimas”: “faz-me muita falta um livro que deixei, atado a sete cordas num desses inumeráveis pacotes, cuja confecção me fez suar, como Jesus nas Oliveiras, o melhor do meu sangue. Chama-se o livro Le Dragon Impérial, de Judith Walter” (cf. LOPES, A. da Costa, “Do positivismo ao agnosticismo panteístico no poeta Feijó”, in Revista Portuguesa de Filosofia, Tomo XXVIII, Braga, 1972, fasc. 1-2).

Trata-se, mais que de traduções, de recriações que o poeta, seduzido pelo exotismo oriental, fez de cantares de poetas da dinastia Tang (séc. VIII). Nestas recriações, Feijó procura, como o próprio diz, «resgatar por intuições e imagens uma beleza gráfica, pictural, intraduzível». Mas nelas encontramos, por um lado, «uma depuração parnasiana» e, por outro, «um vago simbolismo», como regista Cândido Martins.

Feijó não consegue, observa Mourão-Ferreira, «disfarçar», no Cancioneiro, os seus temas como a beleza romântica da mulher que, de «moça e bela», um dia ficou «Flor esquecida, que tombou no lodo».

O jornalista de Pontos nos iis (19 de Dezembro de 1890), depois de comentar que a demasiada agitação dos tempos era pouco propícia a “obras de cunho”, declara:

«[…] no meio da fúria revolucionária de uns, e dos espalhafatos bélicos de outros, parece que inda alguns trabalhadores acham sossego, para conceber, numa atmosfera límpida e perfumada de arte, coisas delicadas de poesia e narração. Aí está por exemplo o “Cancioneiro chinês”, de António Feijó, o poeta gentil-homem, que passa a vida a buscar na frase, como Flaubert, a suprema perfeição na suprema graça, e que a encontra, e neste livro a cristalizou com fortuna insólita – a ponto de parecer que o texto poético por ele vertido, não seja de poetas chineses, problemáticos, mas de Henri Heine, um Heine novo, religiosamente nostálgico, e dum humorismo velado e cheio de problemas.»

No Primeiro de Janeiro (29 de Dezembro de 1890), um comentador menciona os dois poetas que teriam sido os iniciadores deste novo caminho:

«Gonçalves Crespo e João Penha abriram caminho rasgado e têm como iniciadores uma glória indisputável no trabalho de flexibilização da nossa língua; contudo, é forçoso confessar que António Feijó, prosseguindo na mesma esteira, representa, se não a última étape, uma fase notavelmente mais perfeita em relação aos seus ilustres predecessores.»

A propósito do bracarense, recordamos aqui que, na década de 30 do século XX, a Câmara de Braga resolveu prestar uma homenagem ao seu concidadão, levantando-lhe um busto no centro da cidade.

Para isso foi escolhido um quarteirão do jardim do Largo de São do Souto. E assim numa peanha em granito, rodeada por um murete, foi colocado o busto de João Penha, tendo a “seus pés” um espelho de água. Pronto o monumento, questões burocráticas, iam atrasando a data da homenagem que estava programada para ser efectuada com grande aparato.

Passaram tempos e sempre adiada, continuava o busto coberto por uma grosseira serapilheira. Então irreverentes estudantes do Liceu Sá de Miranda, não se conformando com os sucessivos adiamentos, tomaram a peito fazerem eles a inauguração.

Numa noite foram até a São João do Souto, arrancaram a serapilheira e puseram a descoberto João Penha. Mas parece que ouviram, talvez, do além túmulo a voz do poeta ao ver onde estava e, como reclamando da situação com uma quadra que ali afixaram . “O PENHA AO VER CHEGAR A ÁGUA QUASE À TESTA NÃO SE CONTEVE E DISSE, MAS QUE . . . É ESTA !

Tempos depois, durante “O primeiro Congresso Nacional de Filosofia” realizado em Braga em Março de 1955, a Câmara quis homenagear Francisco Sanches, resolve apear o busto de Penha e no seu lugar colocar o do filósofo, professor e médico, Sanches, cristão-novo, que foi batizado na próxima igreja de São João do Souto.

Para o busto de Penha escolheram, para sua nova morada, na Avenida Central, perto do Coreto. Não contentes com esta acção, resolvem, tempos depois, levá-lo para o Largo do Rechicho e colocaram o busto sobre a Fonte do Rechicho, hoje aterrada, mas que lá está. O Centenário da Morte de João Penha acontece daqui a dois anos (3 de Fevereiro de 1919).

Luís de Magalhães, no entanto, e como é de esperar, vai mais longe e encontra afinidades profundas entre a arte dos poetas chineses e António Feijó: «Há fundas e radicais afinidades entre os caracteres do lirismo chinês, revelados no Livro de Jade e o feitio poético do autor das Líricas e Bucólicas. Esses delicados rimadores não são os ingénuos trovistas duma época sentimental, mas bárbara. São letrados, feitos por uma educação culta, erudita, oficial. Em toda aquela simplicidade há muita arte, a direcção superior duma estética clássica, a inspiração dum gosto formado e definido. São artistas consumados, verdadeiros mestres retóricos, no antigo sentido da palavra. Feijó é o mesmo. A suprema característica da sua individualidade literária é a de ser um refinado artista, discreto, equilibrado, consciente, escravo da forma, meticuloso no gosto, puro e preciso na expressão, senhor da sua língua e possuindo toda a técnica da sua arte. Ninguém, entre os novos, faz versos como ele. A sua poesia é plasticamente impecável.”

Na primeira edição de (Paris, 11 de Abril de 1892), António Nobre chama a Feijó «impecável artista» , afirmando que este, na sua

«[…] preocupação constante de bem versejar, com elevado aprumo artístico, cultiva todos os géneros e exprime todos os matizes poéticos entre os derradeiros vestígios do romantismo e do ultra-romantismo, o parnasianismo, o decadentismo e o simbolismo, misturando-os sem dissonâncias de maior e com minúcia de hábil joalheiro, a partir de básicos princípios parnasianos

O Cancioneiro chinês é «a manifestação mais clara do código estético (…) do parnasianismo» cujos traços são «a apologia da impassibilidade, a tendência para o descritivismo, o tom anti-confessional, o geometrismo e rigor da forma, a sobrevalorização do pormenor exterior sobre o interior.»

Se o parnasianismo se caracteriza, de facto, pelo culto da beleza verbal, pelo rigoroso cuidado da forma, das linhas marmóreas da frase, do seu corte lapidar, das riquezas das rimas, da eufonia dos ritmos, do poder evocativo das imagens, – Feijó pode chamar-se, com acerto, um parnasiano seguidor do mestre Theo: “Ce qui n’est pas bien fait, n’est pas fait”.»

Se André Chenier foi o único europeu a interessar-se pela poesia chinesa que conhecia através das poucas transcrições dos livros dos jesuítas, deixando até umas Notes sur la litérature chinoise, António Feijó foi o segundo europeu e primeiro escritor português a fazer a ponte literária entre a Língua de Camões e o Mandarim.

Luís de Magalhães, no discurso produzido por ocasião da trasladação dos restos mortais de António Feijó para Ponte de Lima, publicado no Diário de Notícias, de 17 de Novembro de 1917, revelou: “Antero lia esta obra cheio de encanto e dizia: “É perfeito.” Esta frase valia os mais extensos e laudatórios artigos de crítica.

O poeta do comparativo clarificador

Chiara Lubich, fundadora do Movimento católico dos Focolares, afirmava que “o modo como” agimos, falamos e sentimos é tantas vezes mais importante que a essência do fazer, do dizer e do sentir. Uma das suas frases mais célebres é esta: “ Falemos sempre de qualquer pessoa como se ela estivesse presente” (cf. http://kdfrases.com/autor/chiara-lubich).

Eu e Tu, num ser indissolúvel! Como

Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,

Aspiram a formar um todo, – em cada assomo

A nossa aspiração mais violenta se ateia…

 

Como a onda e o vento, a lua e a noite, o orvalho e a selva

O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noite,

Ou o orvalho inundando as verduras da relva

Cheio de ti, meu ser de eflúvios impregnou-te!

 

Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,

O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,

O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,

Nós dois, de amor enchendo a noite do degredo,

 

Como partes dum todo, em amplexos supremos

Fundindo os corações no ardor que nos inflama,

Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,

Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama…»

Neste poema dedicado à sua mulher, António Feijó mostra a sua estratégia poética assente na comparação, no vocábulo “como”, assinalado em itálico. “Apenas duas composições, “A Águia prisioneira” (p. 354) e “A Lenda dos Cisnes” (p. 399), não integram qualquer tipo de comparação. Todas as outras incluem, pelo menos, uma ocorrência de que demos exaustivamente conta e há casos em que é possível detectar três ou quatro dentro do mesmo poema (cf. SANTOS, Zulmira, in Art. Cit., p.83).

O recurso à comparação é a tendência clarificadora, nos poemas do limiano: “Pondo como uma flor, nas folhas sem aroma” (Poesias Completas, p. 343), “Como uma aranha na sua teia” (“Elegia de Abertura”, p. 346), “Como alguém que a si próprio iludir procurava” (“Descendo a encosta do Parnaso”, pp. 347-348), “Como sobre um paul contínuos sedimentos” (“A Armadura”, p. 349), “Como o caminho chão de uma aldeia ao luar” (“A Cidade do Sonho”, p. 350), “Despenha-se no mar, como um barco sem leme”

(“Beatitude Amarga”, p. 351), “E o clarão do luar, como um pranto mortuário” (“A Selva Escura”, p. 355), “Ele tenta arrancar da folha percorrida, / Como de mina obscura a pedra refulgente” (“O Livro da Vida”, p. 357), “Como se a sombra hostil de uma grande montanha” (“Díptico”, p. 358), “Dois! Eu e tu, num ser indissolúvel! Como / Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia”

(“Eu e Tu”, p. 359), “Como um dos seus avós…” (“Paladinos”, p. 360), “Como se a ruína fecundasse a hera / …como explosões… / / como o poente… (“Cabelos brancos”, p. 362), “Como esperanças desfalecidas… Como um espelho a brilhar” (“Sonâmbula”, pp. 36 3- -364), “Amarga e triste como o exílio onde agoniza” (“Cisne branco”, p. 367), “Como uma estufa a arder…” (“Súplica ao Vento”, p. 369), “Como um prisma…” (“Gota de Agua”, p. 369), “… Como chora a saudade” (“A Ventura”, p. 371), “Como uma esperança…” (“Entre pinheiros e ciprestes”, p. 372), “...como um rio amargo…” (“Rio Amargo”, p. 373), “. . .como o feto ao seio… (“Hino à Vida”, p. 374), “…como sonhos… como estrelas… como flores… como um gládio” (“Hino à beleza”, pp. 376-377), “…como se um beijo…” (“Hino à dor”, p. 378), “…como o sol de inverno…” (“Hino à alegria”, p. 380), “Vivendo como um Deus…” (“Hino à solidão”, p. 383), “como sombra…” (“Hino à morte”, p. 384), “Como um cativo…” (“Epílogo”, p. 386), “Como à luz…” (“Prelúdio”, p. 388), “Como um pobre…” (“Fábula Antiga”, p. 389), “Como a concha de nácar luminoso” (“Cleópatra”, p. 389), “…como um lírio no gelo” (“Moiro e cristã”, p. 391), “…como o olhar moribundo” (“A resposta do árabe”, p. 391), “…como a chuva em calcinada areia” (“A Vocação de Ibrahim”, p. 393), “como uma alvorada prenuncia o dia” (“A Princesa Encantada”, p. 395), “como uma tulipa no meio do abrolho” (“O Romance da Pastora linda”, p. 397) [cf. FEIJÓ, António, in Poesias completas, Livraria Bertrand, Lisboa, s/d.].

Senhora-a-Branca: uma boa prenda para Braga

O livro “Senhora das Neves a Branca” é um “subsídio esplêndido com fundamento científico para o estudo do Povo de Deus, uma realidade representada nesta Igreja que é fonte de espiritualidade e de solidariedade” — garantiu o Bispo Auxiliar de Braga, D. Francisco Senra Coelho, quarta-feira, em Braga.

O Prelado falava na sessão solene e muito musical de apresentação do novo livro do padre Carlos Nuno Vaz que assinala os 500 anos daquele templo em que “muita gente fica na história da história da Senhora-a-Branca”, como sublinhou o jornalista Costa Guimarães

A sessão, com a Igreja cheia, começou com a execução de peças de órgão por Costa Gomes e a entoação de cânticos pelo grupo Coral dirigido pelo padre Júlio Vaz, preparando o auditório para uma “breve visita guiada” à evolução desta antiga ermida que hoje acolhe a Irmandade da Senhora-a-Branca, fundada em 1516.

O bispo auxiliar de Braga, sagrado há três anos, recordou as “peugadas na estrada que o padre Carlos Vaz empreendeu para nos dar a conhecer um Povo de Deus que brota do Baptismo, se alimenta da Eucaristia” através da história da irmandade, com “os seus dias de sol e os seus dias de sal”.

  1. Francisco Senra Coelho centrou a sua intervenção na Comunidade de todos os irmãos que precisa de “recontar a história da Igreja e não pode ficar encerrada num castelo” de negociações entre Papas e Reis, entre Papas e Bispos e entre Bispos e padres.

A história do Povo de Deus está por fazer mas não é fácil porque o povo não deixou documentos nos arquivos nem tinha chancelarias”, mas “é onde nós encontramos com uma multidão imensa que construiu a Igreja”.

Os documentos das irmandades testemunham a “religiosidade popular, as devoções, os ex-votos, as promessas cumpridas e as crenças mais simples como a do medo do purgatório” mas elas são “os primórdios dos movimentos que levam aos grandes Montepios mutualistas” — acrescentou o Bispo Auxiliar de Braga.

Partindo do livro de Jean Deluneau, “História vivida do Povo de Deus”, Francisco Coelho desafia ao estudo da vida e obras do “grosso volume de fiéis anónimos que são a Igreja”. Hoje, a santidade é uma chamada universal, em contraponto aos tempos medievais em que “a santidade era apanágio exclusivo das ordens religiosas” e mesmo dentro dos mosteiros existiam vários escalões.

A RESPIRAÇÃO DOS POBRES

Daí que o Bispo Auxiliar de Braga destaque este estudo do padre Carlos Nuno Vaz porque a história da Irmandade “é um caminho clarividente que nos mostra a realidade viva do povo bracarense, as Confrarias eram uma proposta de caminho da santidade para os simples que dava atenção à piedade, incluía os testamentos, os sufrágios”.

O prelado lembrou a vitalidade das confrarias civis — como a da alheira, da morcela, dos vinhos ou do pudim — quando “sentimos as nossas Irmandades a asfixiar, apáticas. Estamos a falar da respiração espiritual dos pobres, da fraternidade de pobres com pobres e de coisas marcadas com sangue, suor e esperança”.

Uma vez que agora ninguém pode ignorar — com este livro do Carlos Nuno Vaz — D. Francisco Coelho fez um apelo ao “apoio à Irmandade da Senhora-a-Branca, pela sua história e pelo património imaterial que representa para Braga”.

O bispo auxiliar de Braga não esqueceu “esta família de sacerdotes — Cónego António Vaz, padre Júlio Vaz e os sobrinhos Carlos Nuno e Júlio Vaz — que tem um compromisso umbilical, de ordem genética, com o concílio Vaticano II”.

D. Francisco não esqueceu as “cicatrizes e caminhos difíceis que eles percorreram na fidelidade, muitas vezes em silêncio e em sofrimento”.

Coube ao jornalista Costa Guimarães a apresentação do livro que se afirma como “um combate à amnésia programada” através de 570 páginas sobre 500 anos do belíssimo exemplar que acolhe a primeira obra de André Soares (o sacrário).

Trata-se do resultado do exaustivo trabalho de seis anos de estudos de cerca de duzentas fontes documentais distintas, e de muita dedicação que nos apontam momentos, actos, sentimentos, palavras, gestos que calaram fundo e nos ajudam a ter outra perspectiva sobre a importância deste templo na cidade e concelho de Braga.

Com estas 570 páginas, das quais devemos destacar uma excelente colecção de imagens que falam mais que as nossas palavras, o padre Carlos Nuno Vaz ajuda-nos, através de um trabalho que esconde um enorme amor, a aprofundar a história de Braga para a apreciarmos ainda mais” — prosseguiu Costa Guimarães, lembrando que a receita dos 1600 exemplares reverte a favor das obras da Igreja porque as rendas são muito diminutas face ao que eram outrora…

Estamos perante um contributo de muitos que foram coordenados por Carlos Nuno Vaz… como Franklim Neiva Soares (As visitações de S. Vítor), o espólio da Confraria de S. Pedro (unida 15 nos à da Senhora A branca, cedido pelo padre José Paulo Abreu), ou de outras como a Senhora do Ó, do Hospital, da Boa Nova (Arco da Porta Nova), do Bom Despacho, nas Carvalheiras, (que fazem da Senhora a Branca um quatro em um).

Outra lembrança e agradecimento vai para o Doutor José Marques, que forneceu o documento que comprova a existência do nome «Senhora-a-Branca» numa transacção de 1485 e, além disso, verteu para grafia mais acessível a introdução ao Livro dos Brasões, colocada no início do cap. XI.

De Ernesto Português veio o contributo da União com a Irmandade de S. Pedro, enquanto Eduardo Pires Oliveira facilitou a colecção dos brasões dos Arcebispos desde D. Diogo Sousa, em 1516.

UMA PRENDA PARA BRAGA

O jornalista assinalou que é “uma óptima prenda que Carlos Nuno Vaz oferece também a Braga, porque sendo mais que um livro de história, é uma parte ímpar da história de Braga, fora dos muros medievais, quando não havia a Igreja de S. Vítor , mas apenas a Capela de S. Vítor Velho, como mostra bem o Mapa de Bráunio, em 1594,a meio caminho entre a Avenida Central e a Capela de S. Vítor-o-Velho”.

A implantação e prestígio da irmandade alargavam-se de tal jeito que, em 1587, os recebimentos atingiram os 62.667 reis, o que permitia a renovação de alfaias, missais e outro mobiliário decorativo e religioso.

Costa Guimarães deu algumas pinceladas sobre os principais momentos da História da Irmandade que, após séculos de crescimento e crescimento, entrou em declínio e quase morte na primeira metade do séc. XX.

Este livro de Carlos Nuno Vaz também canta essa gente que fica na história da história da Senhora-a-Branca, esses padres e leigos que passaram nas vidas de tantos para os marcar com a sua dedicação e trabalho e não para causar cicatrizes” — sentenciou Costa Guimarães, antes de lembrar com alguma emoção alguns obreiros do renascimento da Senhora-a-Branca: os padres Manuel Rodrigues de Azevedo, António Sousa Fernandes e os irmãos Vaz “marcaram a nossa juventude pela sua coragem para afrontar poderes eclesiásticos hipócritas e castradores da formação da juventude”.

LEMBRAR OS PADRES VAZ

É a estes que a Irmandade deve o seu renascimento desde 1969 até hoje: o padre António Sousa Fernandes , o Cónego António Luís Vaz com o seu irmão Padre Júlio Hilarião Vaz. Os sobrinhos dos padres Vaz— Carlos Nuno Vaz, como capelão — o irmão Júlio, Director do Grupo Coral que anima as celebrações desta Igreja, continuaram a renovação.

Eles acreditaram, com gestos, dedicação, palavras e acções, desde há décadas, naquele grito do papa Francisco em Fátima, no passado 13 de Maio: Temos Mãe. Acreditaram quando, em alguns momentos, a Mãe Igreja se comportou como madrasta e os olhou de soslaio” — lembrou Costa Guimarães.

Eles são os construtores desta “nova centralidade especial da Senhora das Neves a Branca que devemos conhecer mais — através da leitura deste livro — para a amarmos melhor”.

Mais que perpetuar, o padre Carlos Nuno Vaz aviva a memória e dá a conhecer tantas coisas…ricas de humanidade e devoção que há dentro destas paredes. Ninguém ama aquilo que não conhece. Com esta obra deixamos de poder invocar a nossa ignorância. Já não temos desculpa para não amar tanto este templo” — concluiu o jornalista.