Direitos das Mulheres são Humanos

  • Os alunos do segundo ciclo do Colégio Dom Diogo de Sousa emocionaram Catarina Furtado até às lágrimas quando entoaram uma canção de Mariza, na sessão dupla de apresentação do livro “O que vejo e não esqueço” da embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População Mundial.

    Ao ouvir centenas de vozes a cantar “É preciso perder para depois ganhar; é preciso querer ver, acreditar. É a vida que segue e não espera pela gente. (…) Creio que a noite sempre se tornará dia e o brilho que sol irradia há-de sempre nos iluminar. Sei que o melhor de mim está para chegar”, a apresentadora de televisão não se conteve e emocionou-se.

    Foi um momento alto da dupla sessão que reuniu alunos do segundo ciclo e do secundário no auditório Mons. Elísio Araújo (entre as 10 e as 13 horas), tendo os alunos do grupo de voluntariado “Sorrisos por minuto” dramatizado experiências relatadas no livro que a fundadora de “Corações com coroa”, em 2012, apresentou em Braga.

    Esta jornada foi antecedida de uma venda solidária de velas que ascendeu a mais de 800 euros que revertem para a Associação “Corações com coroa” criada por Catarina Furtado que tenta fazer com que os “direitos das mulheres sejam direitos humanos”.

    Nomeada em 1999, por Kofi Annan, Embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População Mundial, bem cedo se tornou campeã dos Objectivos do Milénio.

    Se o Director do Colégio, Cândido Azevedo e Sá não escondeu a sua vaidade e orgulho pelas duas sessões, a convidada desabafou no final: “ não imaginam o que significa para mim estar aqui. Estou emocionada e comovida e vou levar-vos de Braga para Lisboa”.

    Sinto-me muito vaidoso, orgulhoso de vós, dos vossos professores que nos e vos ajudam a criar esta cultura de solidariedade com o outro” — salientou o director da Escola que é frequentada por mais de 1700 alunos, desde o pré-primário ao 12.º ano.

    Catarina Furtado começou por lamentar que os “Direitos Humanos infelizmente não sejam colocados na primeira linha das prioridades”, especialmente os direitos das mulheres que merecem uma “vida ais digna e saudável”.

    A apresentadora de televisão lembrou que a sua missão tem se der “vivida com a mesma dignidade da profissão” para “deixar pegadas úteis e viver intensamente, para não passar por aqui sem fazer nada pelos outros. Não devemos perder demasiado tempo a olhar para nós, esquecendo os outros”.

    Catarina Furtado deu conta dos principais momentos do seu trabalho como Embaixadora de Boa Vontade em prol das raparigas e mulheres do Planeta terra em que o “sofrimento é igual para todos” e se “conseguirmos salvar a vida de uma mãe ou colocar uma rapariga na escola, ganhamos um mundo inteiro. Uma vida é um mundo”.

    A conferencista, após ter conhecimento do trabalho do grupo “Sorrisos por minuto”, constituído por alunos do Colégio Dom Diogo de Sousa, concluiu: “vós, aqui, tedes a capacidade de olhar para os outros”.

    O entanto, sustentou que os “direitos das mulheres não são menores e o nosso trabalho é redobrado: defender direitos sexuais e reprodutivos da mulher reduz a pobreza mas enfrenta muitas barreiras das tradições”o a do Gana onde as raparigas são obrigadas a casar aos 15 anos.

    Acresce que a escolaridade das raparigas é muito baixa e para combater estas barreiras culturais, disse, “não podemos atacar. Temos de calçar os sapatos dos outros. Contornar os obstáculos, os tabus, as tradições seculares, cm uma grande capacidade de jogo de cintura”.

    É assustador saber que “a gravidez é a principal causa de morte das raparigas” — lembrou Cataria Furtado, segundo a qual, uma em cada cinco (67 milhões de moças) casa antes dos 18 anos, e milhões não frequentam a escola o que permite aos rapazes mais oportunidades que elas na saúde, no trabalho e na vida.

    Há uma barreira para a tradição — argumenta Cataria Furtado: “as tradições não podem violar os Direitos Humanos” mas, num tempo em que a Humanidade nunca teve tantos jovens, existe a esperança de “nova energia, criatividade” para alterar este estado de desigualdade.

    Nesse sentido, Catarina dirigiu um desafio aos alunos do Colégio Dom Diogo de Sousa: “saibam gerir bem o vosso tempo, doseiem bem o tempo e não se distraiam com o tempo. A educação das raparigas é um instrumento vital de combate à pobreza. Cada um de nós conta para a transformação do mundo”.

    Por isso, Cataria Furtado estranhou que a comunicação social reserve um lugar secundário para os Direitos Humanos e censurou “perigosos exemplares” d e programas televisivos.

    Sem papas na língua mencionou programas como “Casa dos Segredos” ou “Quinta das Celebridades” que mostram “pessoas à batatada dentro da TV” ou “cenas debaixo do edredão” para falar de alguns problemas das raparigas portuguesas, como “o Bullying ou a violência no namoro que estão a aumentar muito em Portugal”.

    Os números de Catarina

    Ao longo da sua palestra, Catarina Furtado foi enriquecendo o debate com alguns números que são aterradores:

    • Oitocentas mulheres morrem, por dia, por problemas de gravidez ou de parto, por razões culturais e falta de meios;

    • Trinta e um milhões de raparigas, em todo o mundo, não são matriculadas no ensino primário.

    • Apenas trinta por cento das raparigas, em todo o mundo, termina o ensino secundário;

    • Trinta e nove mil meninas sofrem a mutilação genital por dia, facto que lhes dói para toda a vida e as impede de uma vida sexual saudável;

    • O combate pela igualdade de direitos das mulheres reside nas mãos de 1.8 mil milhões de jovens;

    • Cem milhões de pessoas vivem numa situação de crise humanitária e vinte e seis milhões são raparigas;

    • Mil milhões de pessoas vivem com 92 cêntimos por dia.

      Um rosto da igualdade

      Catarina Furtado é apresentadora, actriz e documentarista e fundadora da Associação Corações com Coroa, resultante da sua experiência enquanto Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) desde 2000.

      É co-autora de três séries documentais “Príncipes do Nada” e também dos quatro documentários “Dar Vida sem Morrer” na Guiné Bissau.

      Em 2010 foi convidada pelo Secretário Geral das Nações Unidas para participar como Oradora na Cimeira do Milénio em Nova Iorque enquanto “Campeã dos Objectivos do Milénio” e na Abertura Oficial do Ano Internacional da Juventude.

      Ao longo destes anos tem sido inúmeras vezes convidada a participar em iniciativas de Educação para o Desenvolvimento, Educação para a Cidadania e Advocacy no Parlamento, Escolas, Universidades, ONG, Associações de Empresas e tem feito muitas visitas de trabalho a países em desenvolvimento e participações em reuniões internacionais.

      O Que Vejo e Não Esqueço”

      É o título do livro de Catarina Furtado apresentado ontem, no Colégio D. Diogo de Sousa, em duas sessões abertas aos alunos do segundo ciclo e secundário.

      Trata-se de um livro inspirador que nos envolve na importância da solidariedade e nos convoca para o mundo do voluntariado.

      «Já me perguntaram muitas vezes, ao longo destes quase 25 anos de carreira como comunicadora, de onde vem esta minha preocupação com os outros, esta inquietação. Costumo responder que terá nascido comigo e que cresceu por força das pessoas e dos momentos que mais me marcaram, alguns dos quais decidi agora partilhar convosco. Seja como for, a verdade é que estou absolutamente convencida de que a minha passagem por esta vida tem um propósito muito claro: apoiar quem mais precisa”.

      Tornei-me voluntária, desenvolvendo acções de solidariedade em Portugal e pelo mundo inteiro, quando aceitei a missão de ser Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), porque acredito, com muita força, no poder de cada um de nós para modificar o que está mal” — acrescenta a autora que resume neste livro encontros com outros voluntários em todo o mundo. Através destas páginas, sensibilizando, inspirando e informando, ela regressa ao passado e partilha o seu percurso enquanto cidadã, voluntária e documentarista, convicta de que, desta maneira “toca mais pessoas que podem efectivamente contribuir para fazer deste mundo um lugar melhor, mais sustentável e onde cada pessoa conte”.

      O livro narra-nos a aventura de combatentes contra “os casos de injustiça, de violação dos direitos humanos, mas também de esperança para muitas mulheres, raparigas, crianças, porque são elas as maiores vítimas das desigualdades sociais, da discriminação com base no género, da violência e da falta de escolhas”.

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