Caminha: jornalista combate medo que nos faz ficar cegos

Isabel Varela é uma jornalista caminhense nascida há 44 anos que está a contrariar José Saramago. Para ele, o medo cega, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos”.

Mas em isabel Varela temos mais que uma mulher cega. Temos uma apaixonada pela vila em que reside, pela comunicação e ajuda para com os outros. Ela nasceu e foi criada como muitas outras crianças, mas a vida tinha-lhe reservado algo de inesperado: cegar tardiamente!

Isabel Varela escreve no jornal Minho Digital, onde é faz a cobertura jornalística no concelho de Caminha, e apresenta a sua experiência em livro no próximo dia 15, às 21,30 horas, no Cine-teatro Valadares.

Isabel Varela relata-nos como encarou uma nova vida e um novo percurso, através do seu ‘Monólogo na Escuridão’, em que descreve, na primeira pessoa, os momentos que viveu quando se apercebeu que tinha pela frente um outro mundo, as sensações, os sentimentos, a revolta, a solidão de ver que os amigos que pensava ter a tinham abandonado; mas também outros que apareceram.

Quem já leu o livro comenta que “é um retrato impressionante de quem viu a luz do dia e tinha uma vida profissional e particular estável e … caiu no escuro, tudo ficou negro à sua volta”.

Mais que um alerta, Isabel Varela lança um grito de esperança com a chamada de atenção dirigida à sociedade para olhar os ‘diferentes’, não com piedade, mas como seres humanos. Todos nós!

Isabel Varela colabora com escolas que pedem apoio e contributo no sentido de sensibilizar os mais novos a responder a questões colocadas pelo nosso prémio Nobel da Literatura: por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não vêem”.

É uma boa oportunidade de podermos enriquecer os nossos sentimentos, até porque, conclui José Saramago, lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, (…) Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma, e se eles se perderam.

Foto: direitos de Minho digitalVarela.Isabel

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