Eduardo Melo Peixoto: oito anos de saudade

Completam-se hoje oito anos sobre a morte do Cónego Eduardo Melo Peixoto, um filho ilustre que honrou Braga e as suas instituições, especialmente desde 1951, ano da sua ordenação sacerdotal, na sua caminhada de missão ao serviço da Igreja, da Pátria, da sua cidade de Braga. Tanto é assim, que a sua memória não deve ficar confinada à sua família, mas integrar a zona de gratidão da imensa esmagara maioria dos bracarenses, sem quaisquer complexos.

Nascido em S. Lázaro, cidade de Braga, a 30 de Outubro de 1927, filho de Amândio Pereira Peixoto, falecido em 1932, e de D. Rosa Vasconcelos Melo Peixoto, falecida com 94 anos de idade há dois anos, é o terceiro de cinco irmãos.

A escola de S. Lázaro, os Seminários de Braga e a Universidade Pontifícia de Salamanca onde se doutorou em Direito Canónico, foram centros da sua formação intelectual e de preparação para a vida… E quantas vezes o ouvimos recordar com admiração, saudade e emoção os seus professores e colegas.

Após a ordenação sacerdotal foi prefeito, professor e secretário do Seminário de Filosofia e, simultaneamente, professor na Escola Comercial e Industrial de Braga, tendo aí fundado várias obras de apoio dos estudantes: lares, conferências Vicentinas, salas de jogos e leitura para os tempos livres, jornal, etc.

Foi assistente da Junta Arquidiocesana da Acção Católica e Assistente arquidiocesano da JOC-JOCF, Assistente da Obra do Soldado, do CNE e da Milícia de MP.

Como Capelão Militar serviu o RI 8 em Braga, tomou parte em várias manobras militares em Santa margarida e na Índia Portuguesa integrou o batalhão da Estremadura.

Exerceu a missão de pároco, sendo Vigário episcopal da Primeira Zona Pastoral, em várias zonas de risco e em tempos difíceis. Recorda Aveleda, Real, Bouro (Santa Maria), Valdozende e Vila Chã…

Em 1962 foi nomeado Director Diocesano dos Cursos de Cristandade, cargo que ainda desempenha, tendo promovido a edificação do Secretariado arquidiocesano, na rua do Alcaide, em Braga.

Também por sua iniciativa se edificou o Centro Social João Paulo II, na Apúlia, para serviços sociais e apostólicos, o qual veio a ser inaugurado em 1987, uma obra de grande alcance no plano sócio-caritativo.

Foi presidente da Confraria de Nossa Senhora do Sameiro onde desempenha uma notável actividade, presidente da Confraria de S. Bento da Porta Aberta, sendo também delegado do Arcebispo Primaz junto de outras confrarias. Esteve ligado, igualmente, a várias obras de carácter social, onde exerceu actividade preponderante. Foi presidente da Comissão das Solenidades da Semana Santa e secretário-geral de vários congressos, sendo de destacar o II Congresso Nacional Mariano, as Semanas Pastorais e de Direito Canónico, o II Congresso Eucarístico Nacional e o Congresso dos 900 anos da Sé de Braga.

Foi Vigário Episcopal da Primeira Zona Pastoral, dos Leigos e da Acção Caritativa.

Foi dedicado colaborador na reconstrução do Seminário Conciliar, é membro responsável dos Museus Diocesanos, tem dirigido obras de conservação e restauro da Sé Catedral — iniciativa que tem merecido os maiores aplausos — e integrou a comissão que mandou construir o monumento a Santa Maria de Braga.

Ainda no campo da cultura, foi membro fundador da Orquestra de Câmara do Distrito de Braga, sendo presidente da Assembleia Geral, tem fomentado concertos de música sacra na Catedral, a publicação de edições atinentes à Catedral e outras, colaborador do Diário do Minho e do Correio do Minho e de outros periódicos, tendo proferido conferências em variados lugares.

No campo do desporto, foi presidente do Conselho Geral do seu Sporting Clube de Braga.

Doutor em Direito Canónico pela Pontifícia Universidade de Salamanca, foi Juiz do Tribunal Eclesiástico de Braga e secretário geral da Arquidiocese.

Tendo sido nomeado Cónego da Sé de Braga em 1972, foi Chantre do Cabido e, desde 1990, Deão da Catedral e Presidente do Cabido Metropolitano e Primacial de Braga. No seu Deado promoveu-se a vinda para Braga das relíquias que tinham sido levadas para Santiago de Compostela e, por protocolo de ‘Irmandade’ estabelecido entre os Cabidos de Braga e Santiago de Compostela, o Deão da Sé de Braga era Deão honorário de Santiago de Compostela e vice-versa.

Depois de concretizado o projecto de edificação do Monumento dos arcebispos de Braga, lançou os trabalhos em prol da Biblioteca e Arquivo do Cabido, da ampliação do Museu da Catedral, em colaboração com a Câmara Municipal de Braga e a reconstrução do novo Museu do Sino em colaboração com a empresa Serafim Jerónimo e Filhos.

Morreu sem concluir a sonhada  obra de apoio aos que têm problemas de subsistência, também em parceria com a edilidade bracarense.

Comendador da ordem equestre de Santo sepulcro de Jerusalém, do instituo Galaico-Minhoto, da Associação Jurídica de Braga, de várias Irmandades, da RTM, da Academia Portuguesa de História, Comendador da Ordem de Mérito, recebeu da Câmara Municipal de Braga a medalha de Honra (ouro) da Cidade.

Homem no meio dos homens — costumava dizer que ‘a batina entra onde entra o homem e este entra onde entra a batina’ – marcou presença onde era necessário, em prol do ‘bem comum, em favor de todos os homens, por vezes muito fatigado, mas sempre com bom espírito e sã alegria.

Sem complexos. Foi bom tê-lo connosco.

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