Fraião prepara festa do padroeiro

IMG_4413 Fraiao Tiago

A paróquia de Fraião prepara as festas em honra do seu padroeiro, S. Tiago, com um programa que decorre entre 21 e 23 deste mês, embora o dia do Santo Apóstolo seja o dia 25. Um pequeno grupo de fraionenses teima, a cada ano que passa, em evitar a morte destas festas mas, no ano passado, a adesão foi quase nula.

O programa tem carácter profundamente religioso e começa com uma Eucaristia no dia 21, às 21 horas, cantada pelo grupo coral, seguindo-se um arraial nocturno animado pelo conjunto Os bonitos.

Como dá conta uma nota do padre António Gomes Oliveira e da Comissão de Festas, a celebração do Padroeiro “prestigia e engrandece as tradições” da Freguesia de Fraião.

A partir deste Domingo, a Comissão vai percorrer as ruas de Fraião a recolher donativos para suportar os custos dispendiosos dos festejos.

Os que participam no peditório andam devidamente identificados e quem desejar um comprovativo para deduzir no IRS pode pedir. A julgar pelos documentos históricos, estas festas terão sido iniciadas no ano 904, pelo que é um brio pessoal dos antigos e novos habitantes de Fraião contribuir para “manter viva esta traição de homenagem ao nosso padroeiro Santiago” — destaca o apelo subscrito por Isabel Valentim, Manuel Abreu e Constantitno Leite, além do pároco de Fraião.

No Sábado, dia 22, depois da alvorada, um grupo de Bombos e lavradeiras partem para o peditório pelas ruas da freguesia durante toda a manhã. Ao começo da tarde, joga-se o Torneio do fito com bar aberto. À noite, regressam as cerimónias religiosas, com nova Missa cantada pelo grupo coral de Fraião, seguindo-se depois novo arraial nocturno com o artista Carlos Ribeiro até estralejarem os foguetes da sessão de fogo marcada para as 0,30 horas.

No Domingo, os catequizados da primeira Comunhão e da Profissão de Fé dão corpo a uma Eucaristia solenizada pelo Grupo Coral.

Às 18 horas começa a Adoração do Santíssimo, seguindo-se o sermão e a saída da procissão, que leva à frente a Fanfarra do Agrupamento de Escuteiros de Fraião.

A procissão sai da Igreja Paroquial e segue pelas ruas Padre Feliciano, Devesa, Boavista, Fonte Seca e regressa à Igreja. Dois grupos folclóricos em palco, a partir das 21 horas, esperam ter mais gente a ouvi-los e a apreciá-los que no ano passado.

A Comissão de Festas agradece a colaboração, no peditório do segundo dia, mas esperam com maior satisfação que os habitantes de Fraião participem nestas actividades.

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UM POUCO DE HISTÓRIA DE UM NOME VISIGODO

Fraião é um nome do tempo dos Visigodos. É uma afirmação que não deve sofrer grande contestação porque o primeiro documento que nos fala de Fraião data de 1089, o qual foi pretexto para o anunciado Congresso Internacional comemorativo do IX centenário da existência da Freguesia. Esse documento é o ‘Liber Fidei’, um dos mais ricos cartórios eclesiásticos portugueses, e faz referência a uma doação de um casal, Paio Peres, à Sé de Braga, dedicada também nesse ano. Essa doação é confirmada por outro documento do século XVIII, “O contador de Argote”, onde se especifica que a fazenda doada fica em Fraião.

Em termos paroquiais, a primeira referência data dos finais do século XIII, de acordo com recolha de elementos informativos constantes das Inquirições e 1220 e de 1290. Era em tempos idos uma freguesia pobre, incapaz de sustentar um pároco, pelo que foi anexada á vizinha freguesia vimaranense de S. Cristina de Longos, em meados do século XV, situação que se manteve até 1525. Hoje, por razões diferentes, o pároco de Fraião é o de Lamaçães mas o bairrismo da freguesia está em agonia.

Em termos administrativos, Fraião estava anexada a Nogueira e apenas se tornou independente em 20 de Fevereiro de 1903. Ainda hoje, Fraião, uma freguesia cujo núcleo mais antigo se situa na rua da Boavista, possuía uma igreja paroquial pequenina, que só há poucos anos foi substituída por um novo templo.

Na década de 90 do século passado, a freguesia de Fraião foi abanada na sua pacatez pela instalação de grandes superfícies, das quais se destaca pela sua grandiosidade, o Minho Center-Carrefour, para além do Office Center,, o Aki e o San Luis. A implantação destes hipermercados e das novas urbanizações acabaram com a exploração agrária de quintas existentes entre Lamaçães e o vale do rio Este, de grande fertilidade.

Uma dessas quintas, a da Senra de Baixo, ainda ostente motivos patrimoniais que convinha fossem salvaguardados, entre eles um dos marcos que separa Fraião de Lamaçaes e um belíssimo fontanário do século XIX.

A construção do Hipermercado Carrefour obrigou à trasladação da antiga fonte das águas férreas, para um espaço renovado e devidamente recuperado, que é ponto de ‘peregrinação’ para milhares de bracarenses que ali se abastecem de água.

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Monumentalmente, a freguesia de Fraião é pobre — pode escrever-se sem erro que é uma das mais pobres do concelho de Braga — e o sítio mais mediatizado é a fonte das águas férreas, dominado por um pequeno fontanário que terá sido o primeiro desenho do grande Carlos Amarante.

Trata-se de uma fonte que é conhecida pelo menos desde 1773, pelas suas características medicinais, sendo divulgada nas grandes publicações de hidrologia, a que se refere Pereira Caldas, em 1851. Já nessa altura, esta água é definida como cloretada comsódio e ferruginosa.

A nascente de Fraião era aquela que apresentava maiores teores de ferro, a partir de compostos de ferro acumulados no aluvião.

Na fonte à qual recorrem agora centenas ou milhares de pessoas, jorra água de uma nascente situada onde existe a rotunda que dá a para a avenida Alfredo Barros, entre o Carrefour e o Office Center, a 50 metros da antiga nascente e não é por isso uma emergência natural de água férrea. Trata-se do aproveitamento por gravidade de uma nascente situada a 200 metros para Sul da localização da fonte. No entanto, não deixa de ser uma água hipotecam, cloretada sódica, com teores de ferro extremamente baixos, pelo que pode ser considerada uma água mineral natural, cuja pureza é fiscalizada por análises trimestrais.

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FONTE CONSTRUÍDA PELA CÂMARA

A fonte original foi mandada construir pela Câmara Municipal de Braga, no sítio que “fica místico ao Espadanido, arrabalde desta cidade, para asseio e resguardo e poder o povo com melhor comodidade servir-se da água férrea novamente descoberta”.

A empreitada foi entregue a Paulo Vidal, em 30 de Julho de 1773, um mestre pedreiro e morador na freguesia de Adaúfe, por oitenta reis, com “obrigação de a fazer na forma do risco que se lhe entrega assinado pela Câmara, como também mudará o rio, fará o desentulho, formará as paredes de segurança dele, tudo à sua conta e na forma do risco que viu e lhe foi apresentado”. Esta deliberação camarária mostra também o abandono a que esta fonte estava votada no século XVIII.

Mais tarde, em 1851, há notícia do pagamento de 18 reis a José António Peixoto Braga, por 600 exemplares dos “ensaios analíticos das águas férreas de Fraião”.

A fonte mergulhou de novo numa fase de algum abandono ao qual foi posto cobro no final do século passado, com a construção do Hipermercado Carrefour, cuja implantação levava à demolição da Fonte.

Argumentando que a fonte era pública, a Junta de Freguesia de Fraião, opôs-se à sua demolição e resgatou-a, mediante um acordo celebrado com os representantes da multinacional francesa, para o domínio dos cidadãos, cedendo na sua localização, cerca de 200 metros a norte do local onde se encontrava e se destinava a armazéns de recolha de mercadorias do Hipermercado.

Trasladada para um quarteirão público e vedado com uma sebe, a fonte é hoje procurada por centenas de pessoas que, diariamente, ali enchem os garrafões de água para consumo. Só é pena que alguns aproveitem para ir à água e levem os cães que conspurcam o pequeno relvado que a circunda… mas isso é uma questão de civismo e respeito pelo que é dos outros que não se guarda em garrafões nem brota da fonte…

A par da implantação destas superfícies comerciais, os terrenos disponíveis e que davam a Fraião um ar de ruralidade passaram a urbanizáveis, reforçando o número de habitantes de Fraião nuns bons milhares de residentes, em novos blocos habitacionais em construção.

Egídio Xavier Guimarães:

a chama que não se apaga’

A freguesia da fonte das águas férreas possui uma chama que não se apaga porque continua depois desta vida outra vida (Luís Murat) e da qual todos se recordam ao passar junto ao portão que dá acesso à quinta de Calvelo de Cima: o dr. Egídio Xavier Amorim de Sousa Guimarães.

Faz vinte anos no próximo dia 27 de Dezembro que faleceu, após uma queda junto à Igreja de S. Lázaro, mas deixa aos bracarenses uma herança cultural e de combate pela cidadania que deve orgulhar os habitantes de Fraião, onde viveu durante décadas, depois de ter nascido na Póvoa de Varzim, em 7 de Julho de 1914, apesar de ter profundas raízes familiares em Braga. Da cidade de Braga nunca se ausentou por muito tempo, excepto quando era criança e viajou com os seus pais para Moçambique, numa ida episódica. Pode-se dizer que Braga foi o seu berço, o seu lar e o seu túmulo, para além de ter alimentado uma paixão desmesurada pela Cidade dos Arcebispos.

Assim, o seu grande projecto, inacabado, era uma ‘monumental bibliografia bracarense’, acompanhada de algumas memórias, onde os estudiosos pudesesm beber tudo o que fosse necessário saber acerca de Braga.

Depois dos estudos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde concluiu uma formatura em histórico-filosóficas e depois uma especialização em bibliotecário-arquivista, foi nas viagens que empreendeu pela Europa que culminou toda a formação de um grande humanista, lutando em favor de uma ideia de Humanidade, de Pátria e de Cidade que os cépticos nunca viram com bons olhos.

Entre 1964 e 1969 integrou o executivo municipal de Braga, como vereador da Cultura, cujo exercício ficou marcado pela realização de grandes congressos, como o Congresso Internacional de homenagem a São Frutuoso, o apoio à investigação arqueológica, com incidência notável na recuperação e salvaguarda da romana Bracara Augusta, na colina da Cividade e, acumulando com o cargo de Director da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga, permitiu criar as condições de apoio para os projectos de pesquisa do historiador de arte americano Robert Smith.

Além de escrever regularmente na revista Bracara Augusta, na altura dirigida por outro grande amigo de Egídio Guimarães, Francisco Bacelar Ferreira, fez sentir a sua influência decisiva na realização de outros congressos internacionais efectuados em Braga, como o de S. Martinho de Dume e o de André Soares.

Mais tarde, já no regime democrático pós 25 de Abril voltaria a exercer as funções de vereador como eleito pelo PPM (Partido Popular Monárquico) numa lista do PSD, em 1989.

Entre a década de setenta e a de noventa participou ainda como elemento destacado da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia, de curta vida, e a Comissão Arquidiocesana de Arqueologia e Arte.

Sócio número um da ASPA e presidente do seu Conselho Fiscal, prefaciou obras sobre Moura Coutinho e Manuel Monteiro, além de ter colaborado na revista Mínia e na imprensa de Braga.

Depois da integração da Biblioteca Pública na Universidade do Minho, seguiu-se a fase da sua vida onde melhor pôde desenvolver a usa ideia de pátria e de cidade.

Além de militar em experiência literárias na “Quatro ventos”, desenvolveu profundas ligações de amizade com grandes intelectuais portugueses e estrangeiros, mas ainda teve tempo para colaborar em iniciativas como o Círculo de Cultura Musical que teve uma grande actividade em Braga nos anos 60, a Alliance Française em Braga ou ainda a Delegação de Braga da APPACDM, onde com a esposa, D. Lucinda, e o dr. Félix Ribeiro lançaram as primeiras estruturas de apoio aos deficientes mentais, cumprindo a lição transcrita em livro “O meu amigo Gervásio e a sua filha catedrática, publicado em 1986 e dedicado à sua filha Maria João.

Mas para apreciar melhor o que é Fraião, aceitemos percorrer lugares ainda desconhecidos da freguesia situada no sopé do Monte de Santa Marta e do Sameiro.

O primeiro enigma está na praça da Sede de Junta de Freguesia onde existe um nicho cuja inscrição se lê: “Almas de Lamaçães”. Para um desprevenido, pode dar a indicação que se enganou no caminho e não está em Fraião, mas tudo tem a sua explicação. Trata-se de umas alminhas que ali foram colocadas mas ninguém sabe de onde vieram. Por isso, resolveram o problema desta maneira e em vez de escreverem às Almas desconhecidas, escreveram “Almas de Lamaçães”.

Desfeito o equívoco – afinal, estamos em Fraião – seguimos até à praça do dr. Manuel Faria (conhecido Chefe dos Escuteiros), onde foi demolida uma ilha onde viviam cinco famílias em frágeis condições e no seu lugar nasceu um prédio com cinco habitações para cada um daqueles agregados que viviam na miséria e sem condições de vida, com o patrocínio do Carrefour.

Nova igreja paroquial

Depois demos uma saltada até junto da pequenina Igreja paroquial, agora substituída por um novo templo com cerca de três mil metros de área.

Trata-se de uma igreja simples à qual foi feito, em 1993, um acrescento com a construção do Salão paroquial, inaugurado há vinte anos.

Sem grandes espaços e lazer, Fraião tem de aproveitar alguns terrenos disponíveis nas principais urbanizações para esse fim. É o caso da chamada urbanização da Quinta, junto à Travessa do Passal, onde existe um parque de lazer que se enquadra perfeitamente na área mas a precisar de maior utilização pela infância e os idosos.

Por falar de lazer e desporto, uma das velhas ambições ressuscitar o clube Os Maikes de Fraião, cuja actividade desportiva já viveu grandes momentos de glória pelas conquistas no futebol distrital.

Panorama lindíssimo

Lindíssima é a urbanização de Calvelo de Cima (a partir da casa onde viveu Egídio Guimarães) , discretamente implantada por entre a vegetação em direcção a Santa Maria Madalena da Falperra e de onde se avista uma panorâmica ímpar sobre a cidade de Braga.

Deixamos a parte mais antiga de Fraião para descermos até junto do Minho Center (Carrefour), onde, à sua volta, ‘nascem’ centenas e centenas de fogos para habitação, na margem de novas ruas e avenidas.

Mas nesta viagem não podíamos evitar a Quinta da Senra de Baixo, um grande celeiro de Fraião em décadas passadas e agora praticamente reduzida à casa agrícola da quinta mas onde existe algum património que não deve deixar-se degradar.

Junto à casa de lavoura encontravam-se uns marcos delimitadores da freguesia com a inscrição ‘SIP’ e um lindo conjunto de granito com bancos, fonte e tanque construído em Setembro de 1858.

Nesta viagem passamos também junto da Fonte das Águas férreas, o ex-libris da freguesia em termos monumentais.

A nossa visita termina no Campo Escola do Corpo nacional de Escutas, oferecido por Calouste Gulbenkian, e fundado em 1 de Julho de 1963 e por onde já passaram milhares de jovens nas suas acções de formação do escutismo.

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