Distrito de Braga: PS perde 50 mil votos e 17 mandatos municipais em oito anos

O PS perdeu mais de 16 mil votos no distrito de Braga na votação de domingo passado para as Câmaras Municipais (de 190.816 eleitores, em 2013, baixa para 174.743, em 2017) e perde onze mandatos municipais. Mas se olharmos para os votos de há oito anos, o PS está em queda progressiva e dramática. Em 2009, o PS obteve 222.700 votos e 55 mandatos nos municípios, contra 49 há quatro anos. Seis dias após a ida às urnas reina um silêncio inquietante e ensurdecedor de todos os dirigentes. Estão todos em estado de choque e perderam a voz?

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Nestes oito anos, os grupos de cidadãos tem sido a força que mais cresce, uma vez que teve 14.500 votos em 2009, passou para 32 mil em 2013 e agora quase chegam aos 60 mil votos.

Neste movimento de votos, o PSD e as suas coligações têm resistido a esta erosão causadas pelos independentes, enquanto as forças de esquerda (CDU e BE) também não conseguem aguentar a pedalada dos “independentes”. O maior contributo este ano, para os independentes nas eleições para as Câ,aras Municipais, foi o PS e, for força dessa variante perde Terras de Bouro, Vizela e Póvoa de Lanhoso. Os independentes começaram com sete mandatos, cresceram para nove, há quatro anos e agora chegaram aos 17 mandatos, ou seja, quase duplicaram em apenas oito anos.

Por sua vez, a CDU manteve praticamente os memos votos, nestes oito anos com um vereador em 2009, dois em 2013 e agora volta a ter só um — em Braga — com a perda do representante em Guimarães e de quase 4.500 votos em todo o distrito.

Por isso, a CDU é outra perdedora, à escala da sua implantação, ao passar de 24.563 para 20.999 votos nas eleições de Domingo, perdendo um dos dois mandatos que possuía em 2013.

Mais complicadas são as contas relativamente a PSD e CDS, uma vez que se diversificam as coligações. O PSD sózinho baixou a sua votação (passando de 46.473 para 41.704 votos) mas sobe quando se coliga com o CDS e PPM acrescentando 28 mil votos aos 70.632 obtidos em 2013, que se traduzem em mais 16 mandatos.

Os grandes vencedores — por razões bem diversas — são os grupos de independentes que obtiveram mais de 16 mil votos que em 2013, fixando-se agora nos 58.660 sufrágios e mais oito mandatos.

Se é verdade que diminuiu o número de inscritos — em quase dois mil —, o facto positivo é o aumento da votação que passou dos 492.303 para os 504.479 cidadãos que exerceram o seu dever cívico no passado Domingo, em todo o distrito de Braga.

Em contra ciclo com a realidade nacional, o PS foi o grande derrotado destas eleições, com a perda de Amares, Vizela, Terras de Bouro, Amares para o PSD e Independentes, além da perda da maioria absoluta em Barcelos e a vitória tangencial em Fafe.

Em Vizela e Póvoa de Lanhoso, a derrota explica-se pelo aparecimento de independentes oriundos do PS. No primeiro caso venceu mas no segundo, os 1600 votos de Lúcio Pinto (na foto abaixo) impediram a vitória do partido que lhe deu tudo ao longo da sua vida. Também se registou uma divisão em Fafe, mas o PS acabou por vencer a contenda.

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Apesar do alarido, nas redes sociais e dos processos em Tribunal contra António Vilela, Vila Verde foi uma enorme decepção para o PS, baixando em mais de dois mil votos o “score” de 2013, fixando-se nos 10.358 votos que permitiram manter os três vereadores. O PSD acrescentou mais 2.600 votantes aos 12.055 obtidos em 2013. Nas freguesias, os resultados foram bem melhores para os socialistas, com mais seis mandatos num concelho onde o CDS — que já governou a Câmara Municipal — está em desaparecimento, perdendo os dez eleitos que possuía e mais de mil votos. Restam apenas 307 apaniguados em todo o concelho. A novidade das freguesias vilaverdenses é a eleição de um candidato da CDU.

DESASTRES EM AMARES E EM TERRAS DE BOURO

O descalabro total aconteceu em Terras de Bouro, onde o PS, que governava a Câmara Municipal passou dos 51,4 % para os 28,5% neste Domingo, perdendo 1300 votos. O PSD que teve apenas mais 200 votos que em 2013 sagrou-se vencedor, sem maioria absoluta, por causa da fuga de 1578 votos para uma lista de independentes que elegeu dois vereadores. Neste concelho, o número de votantes baixou cerca de 300 sufrágios e o PCP quase desaparece, descendo de 419 para 108 votantes.

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Amares era outro concelho socialista mas as divergências a meio do mandato levaram Manuel Moreira (na foto acima) para o PSD e ele voltou a vencer, com qusse sete mil votos, contra os três mil votos de há quatro anos. O PS perde mais de dois mil votos, divididos pelo PSD/CDS e pelo Movimento Mais que fez eleger o seu cabeça de lista, Emanuel Magalhães, com 1701 votos. O PSD tinha dois vereadores e agora tem cinco.

Em Vizela, outro concelho que chegou a ser o mais socialista do distrito de Braga, o PS perde quase metade dos votos, baixando de quatro vereadores para dois, enquanto os independentes (ex-PS) obtêm a liderança do município, com 5.606 votos. Vítor Salgado (na foto abaixo) recolheu os despojos.

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Em virtude desta guerra entre socialistas, o PSD perde um vereador e milhar e meio de votos, mas a CDU não pode rir-se pois baixou dos 616 para os 292 sufrágios, o mesmo acontecendo com o BE que perde metade dos eleitores.

Nas freguesias, o vendaval que atingiu os socialista é semelhante, com a perda de 15 mandatos, a maioria para os independentes que vão buscar mais 13 (dos seus 19) ao PSD.

PS ECLIPSA-SE EM ESPOSENDE E GUERRAS FRATRICIDAS

Saltemos agora até ao litoral, onde o PS desaparece do executivo municipal, onde tinha um vereador, fazendo companhia ao CDS/PP que também perde o seu. A candidatura do PSD quase dava um chito, ao eleger seis vereadores, com mais 1500 votos que há quatro anos.

A tentativa de João Cepa (ex-presidente eleito pelo PSD) resultou na sua eleição, com quase quatro mil votos, conquistados ao PS e sobretudo ao CDS que dá um tombo de 1300 dos seus 2013 sufrágios, em 2013. Os derrotados não se podem queixar dos eleitores porque estes aumentaram em quase dois mil, face ao acto anterior, e a afluência às urnas subiu quase seis por cento.

Do mal o menos, porque o PS aguentou-se nas freguesias, perdendo apenas um dos vinte mandatos conseguidos há quatro anos.

O PSD assegurou os mesmos 45 mandatos nas freguesias de Esposende, enquanto os Independentes passaram de 15 para 18 mandatos, porque o CDS perdeu seis dos seus sete eleitos e a CDU perdeu um dos dois. O MPT estreou-se com a conquista de cinco lugares nas assembleias de Freguesia (três em Fonte Boa mais dois em Belinho e Mar).

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Apesar do combate que lhe travou o ex-vice-presidente socialista, Domingos Pereira (na foto acima) — braço direito de Joaquim Barreto na Federação do Distrital do PS de Braga — Miguel Costa Gomes aguentou bem a sua lista socIalista, perdendo apenas um vereador dos seis conquistados há quatro anos. Perdeu também apenas2.628 eleitores. Apetece dizer que as “traições” não compensaram e a prova está na votação para a Assembleia Municipal em que o PS se aguenta bem (perde três eleitos). A candidatura de Domingos Pereira tirou um vereador ao PS e recuperou um vereador eleito como independente há quatro anos, oriundo do PSD. Beneficiou também do aumento de quase 2500 novos eleitores. No entanto, Miguel Costa Gomes terá de governar em minoria ou aliar-se ao PSD, uma vez que as posições extremadas com o seu ex-vice não auguram possibilidades de acordo de gestão municipal.

Nas freguesias, os danos foram maiores, com a perda de 52 mandatos em 254 conseguidos há quatro anos. O PSD manteve os seus eleitos e os cidadãos independentes, apoiados por Domingos Pereira, em muitos casos, passaram de 74 para 129 mandatos. Por força desta batalha entre dois socialistas, o PCP desapareceu das Assembleias de Freguesia de Barcelos e o mesmo destino teve o BE que perdeu o único eleito.

BE ESTREIA-SE EM FAMALICÃO

E CDU APAGA-SE EM GUIMARÃES

Em Vila Nova de Famalicão, apesar da qualidade do candidato, Nuno Sá, o PS perde um vereador e quase seis mil votos, o que traduz bem a derrocada num concelho onde teve já grandes vitórias eleitorais e governativas. Enquanto BE e CDU se aguentam, o PSD aumenta a sua votação à custa dos socialistas, em mais 6400 votos. Paulo Cunha elege oito vereadores está tudo dito. Maior descalabro aconteceu nas freguesias, com o PS a perder quase trinta dos seus 121 mandatos. É verdade que o PSD/CDS também perdem quatro, mas as perdas socialistas foram parar aos candidatos independentes que somam 31 aos 20 mandatos que possuíam em 2013. O PCP tem um resultado animador uma vez que passa de três para nove eleitos enquanto o Bloco se estreia nas Assembleias de Freguesia de Famalicão, em Oliveira (Santa Maria).

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Guimarães assume-se como um concelho fiel ao trabalho dos autarcas socialistas e reforça a sua votação em mais oito mil votos, mantendo os seis vereadores. Domingos Bragança  (na foto) teve um opositor brioso, André Coelho Lima, que trouxe mais cinco mil eleitores para o PSD/CDS que, de 31.174 ,passou para 36.452), com perdas assinaláveis para CDU enquanto o BE sobe meio milhar de sufrágios.

A CDU perde assim o seu vereador na Câmara Municipal de Guimarães, num concelho onde os novos eleitores são quase dez mil, o que pode ser ainda mais dramático para a coligação liderada pelos comunistas.

Nas freguesias, o PSD perde (sete mandatos) enquanto os socialistas acrescentam mais vinte mandatos aos 240 conquistados há quatro anos. É também nas freguesias que se acentua a quebra da CDU que perde mais de metade (15) dos seus 27 eleitos em 2013. Nem se pode queixar dos Grupos de Cidadãos que passaram a ter mais dois mandatos (14), nem o BE que continua sem ninguém nas Assembleias de Freguesia do concelho vimaranense.

No lavar dos cestos, confirmou-se uma difícil mas saborosa vindima para o PS em Fafe e Raúl Cunha até se pode dar por muito satisfeito: subiu a votação (mais mil votos) e a percentagem face a 2013, contra Independentes (ex-PS) e PSD/CDS.

Feitas as contas, o PSD segura os seus dois vereadores, mesmo com menos 600 votos, ao passo que os novos independentes foram buscar os votos dos independentes de há quatro anos, com apenas mais 800 votos, para elegerem três vereadores.

Os grupos de cidadãos — como era previsível — dominaram as Assembleias de Freguesia, com 111 eleitos, contra 93 já conquistados há quatro anos. O PS desde dos 93 para os 74 eleitos e o mesmo acontece, proporcionalmente, com o PSD que perde cinco dos 30 eleitos. No meio desta batalha intensa, no lavar dos cestos, a CDU obtém um bom resultado com sete eleitos contra apenas um em 2013.

PSD DESAPARECE NAS FREGUESIAS DE CABECEIRAS DE BASTO

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Mais outro caso emblemático: acossado por acusações em tribunal, o candidato do PSD perdeu mais de dois mil votos e a sua lista tem menos um vereador eleito. Um grupo de cidadãos foi buscar um vereador ao PSD e outro ao PS que passa a ter apenas um vereador na Câmara de Celorico de Basto.

Os socialistas perdem quase mil votos que ajudam os independentes (CIC) a eleger dois vereadores de uma assentada. O CDS volta a apresentar-se só e perde metade dos sufrágios e a CDU também desce por força do efeito do CIC e da diminuição de 200 eleitores face a 2013. O descalabro nas freguesias, para as listas do PS traduz-se na perda de 13 eleitos (dos 30 de há quatro anos), enquanto o PSD perde seis e o Grupo de Cidadãos passa de 22 para 42 eleitos. O CDS desaparece nas Assembleias de Freguesia de Celorico de Basto.

Ao lado, na terra de Joaquim Barreto, o sucessor de Serafim China Pereira na presidência da Câmara Municipal, Francisco Alves (na foto acima) consegue um belo feito: reforçar a votação com mais 700 votos e mais um vereador para a maioria absoluta sossegada. Os grandes derrotados acabaram por ser o PSD e CDS que apostaram as cartas todas no IPC (Independentes por Cabeceiras). Porquê? Este IPC conseguira 4535 votos em 2013. Agora, com apoio do PSD e CDS, apenas consegue mais 618 sufrágios quando o PSD e CDS obtiveram 1355. Com esta história mal contada aos cabeceirenses, o PS ficou com maioria absoluta na Câmara Municipal, o que é uma enorme tranquilidade para o nóvel presidente.

Nas freguesias, o PS perde quatro dos 49 mandatos que foram engrossar a fileira dos Grupos de Cidadãos (passam de 26 para 52). O desastre total é para a bandeira do PSD que desaparece das freguesias de Cabeceiras de Basto, onde tinha 22 mandatos. O mesmo acontece com a CDU que perdeu o único representante num concelho onde votaram menos vinte pessoas que há quatro anos.

VIEIRA E PÓVOA DE LANHOSO

COM SABOR A LARANJA

O concelho da Terra da Cabreira é testemunha do declínio dos socialistas, com Jorge Dantas a assumir uma derrota bem pesada, tendo em conta que já foi presidente do Município que conheceu tempos áureos com Travessa de Matos, que o conquistou ao grande senhor social democrata João Costa. A queda é estrondosa. O PSD sobe 858 votos mas Jorge Dantas perde 1633 votos! Mais, não consegue despertar os vieirenses que ficaram em casa: votaram menos 700 pessoas, face a 2013. O resultado foi o reforço do PSD — cinco vereadores — e a agonia do PS que perde um dos três vereadores municipais.

Escolhemos a palavra declínio porque, nas Freguesias, o PS perdeu quase metade dos seus eleitos (eram 69 e ficaram reduzidos as 33) enquanto o PSD conquista mais dois (55). Os independentes foram buscar esta parte de leão ao PS, com 30 eleitos contra oito nas anteriores eleições.

As esperanças depositadas na Terra da Maria da Fonte por dois socialistas esfumaram-se: Frederico Castro não venceu e Lúcio Pinto (como Independente) não foi eleito sequer. A bipolarização entre Avelino Silva (PSD) e Frederico Castro repetiu o score de mandatos na Câmara Municipal de há quatro anos: quatro para os sociais democratas e três para socialistas.

Lúcio Pinto conseguiu apenas 1606 votos que impediram a vitória do PS (cf. https://www.publico.pt/2003/09/30/jornal/novo-presidente-da-camara-da-povoa-de-lanhoso-recusa-eleicoes-intercalares-205954).

Essa é a verdadeira mágoa que hoje deve sentir o candidato apoiado pelo PS, Frederico Castro, que ficou a menos de 200 votos da vitória sobre o PSD. A candidatura do PSD perdeu 1183 votos, suficientes para Frederico Castro poder cantar vitória no Domingo à noite. Mais um caso de divisão entre socialistas, a juntar a Barcelos, Vizela e Amares.

Nas Freguesias, as assembleias não registam grandes alterações, a não ser o desaparecimento do CDS que tinha um eleito.

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