Guimarães: “Antígona” — a Consciência no centro do palco humano

 

A tragédia grega clássica, escrita por Sófocles, “Antigona”, pelo Teatro de Ensaio Raul Brandão, encerrou sábado a Mostra de Amadores de Teatro — MAT’17, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, trazendo a a supremacia da Consciência para o centro do palco humano.

Com adaptação e direcção de actores de Teresa Arcanjo, “Antígona” foi interpretada por Ana Sandrina Simões, Carlos Xavier, Catarina Gomes, Cesarina Oliveira, Elvira Oliveira, Luísa Maria, Mariana Costa e Marta Canelhas Ferreira.

O desenho de luz foi da responsabilidade de Henrique Margarido.

O texto estrutura-se com a ajuda da tradução da célebre Maria Helena Rocha Pereira e com a tradução de Marta Várzeas e adaptação de António Pedro (Teatro experimental do Porto).

Para as jovens actrizes e a sua directora, é um acto de coragem trazer esta obra de meados do séc. I a. C., num tempo em que grassa e domina o politicamente correcto na política, na economia, na cultura e nas relações pessoais.

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Apesar de ser um texto pesado, Sófocles é demasiadamente profundo e descobre, para os espectadores, o âmago do Ser Humano, distintivo do resto da Natureza. Antígona aborda temas sempre presentes em qualquer sociedade humana mas poucas vezes merecedores de reflexão: a consciência individual, o poder do Estado, a obrigação de aceitarmos ou não todas as leis, e a existência de uma Lei natural que está acima dos homens.

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Antígona sabe que um dos seus irmãos mortos viu negado o direito à sepultura . Ambos lutaram durante a guerra civil pelo trono de Tebas. Creonte, que tomou o poder, decide que o cadáver de Polinices será exposto às aves de rapina. Antígona revolta-se contra o decreto de Creonte e decide oferecer um funeral digno a seu irmão. Porque a sua consciência individual traz para a tragédia a questão da Lei Natural, que será determinante no Cristianismo do século seguinte. A Lei dos Deuses permite que ela desobedeça às ordens de Creonte porque são superiores e estão além de qualquer governo de qualquer época.

Historicamente, a Lei Natural foi ignorada por governantes e instituições em várias ocasiões. O eterno conflito entre a consciência de cada um e as leis estabelecidas por Estados e governantes poderosos deu origem a muitas situações dramáticas.

Creonte rapidamente condena Antígona à morte.

Foi fácil para ele fazer isso.

Com Sófocles aprendemos que “os deuses deram ao homem o intelecto, / que é a maior de todas as riquezas” e que “não há nada pior do que o dinheiro / na sociedade humana”.

Com Antígona também aprendemos que “há muitas maravilhas neste mundo, mas a maior de todas é o ser humano” e alerta que “há sempre algo de ameaçador num silêncio muito prolongado”.

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FESTIVAL COM SEIS GRUPOS

Tudo começou com uma convocatória aberta aos grupos amadores do concelho e foram escolhidas seis novas criações que se apresentaram por todo o concelho de Guimarães durante o mês de setembro – a ARCAP de Ponte nas Taipas, ATRAMA em Briteiros, o TERB em Ponte, a Astronauta em Moreira de Cónegos, o CETE – Convívio em Brito e o Grupo de Teatro da Citânia no Espaço Oficina em Guimarães.

Depois de vistos e debatidos pelo júri e por profissionais de teatro convidados, foram escolhidos os três melhores espetáculos da Mostra que se apresentam, agora, no Centro Cultural Vila Flor, a fechar esta “nova” festa de teatro.

Na Quinta-feira, no Pequeno Auditório, foi apresentada a Loja de Trabalho para profissionais do espetáculo: teatro, pela ATRAMA , de Briteiros. No segundo dia, foi representada a “Guernica ou a iconografia do fim da esperança”, pelo grupo da Astronauta Ass. Cultural, de Moreira de Cónegos.

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O habitual espaço de apresentação dos Grupos de Teatro de Amadores de Guimarães surgiu, este ano, num formato revisto e alargado, com programação do Teatro Oficina. Depois da realização de uma convocatória aberta aos Grupos de Teatro de Amadores do concelho, foram seleccionadas seis novas criações cujas apresentações aconteceram ao longo do mês de Setembro um pouco por todo o concelho de Guimarães, promovendo verdadeiros momentos de partilha e convívio com a arte teatral como referencial.

Na primeira semana de apresentações, o auditório dos Bombeiros Voluntários das Taipas recebeu o grupo ARCAP – Academia Recreativa e Cultural Amigos de Ponte que levou a palco a peça ‘Greve de Sexo”, de Aristófanes. A Casa do Povo de Briteiros acolheu o espectáculo ‘Loja de Trabalho para profissionais do espectáculo: teatro’, com assinatura do grupo ATRAMA, e o salão paroquial de Ponte recebeu a peça ‘Antígona’, de Sófocles, com o carimbo do TERB – Teatro de Ensaio Raul Brandão.

A segunda ronda de espectáculos arrancou com o grupo Astronauta – Associação Cultural, que passou pelo Centro Pastoral de Moreira de Cónegos com ‘Guernica ou a iconografia do fim da esperança’. Os Espaços Criativos de Brito foram palco para a peça ‘Para Quase Sempre’, do CETE – Convívio e Teatro Experimental e o Espaço Oficina recebeu o Grupo de Teatro Citânia com ‘Panóplia (título tentativo)’.

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